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Arquivo de julho, 2002

Lula descreve todo seu plano

31, julho, 2002 FDR 1 comentário

Lula descreve todo seu plano de governo num artigo de uma única página, “Compromisso com o emprego”, que pode ser lido no site oficial do PT. Diz que fará o país crescer 5% ao ano, que criará dez milhões de empregos, que acabará com a fome. E no final explica: “Muitos se perguntam de onde virá o dinheiro para a implantação de um programa como esse. Mas os cálculos que realizamos mostram que basta reduzir em alguns pontos percentuais a taxa de juros para obtermos os recursos necessários.” Ah, claro. Basta reduzir os juros e pronto! Quem não percebe que esse sujeito é uma besta, me desculpe, é incapaz de reconhecer seus semelhantes.

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Eu me amo. O diabo

31, julho, 2002 FDR 2 comentários

Eu me amo. O diabo é que não sou correspondido.

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Inteligência, s.f.: capacidade de outrem

31, julho, 2002 FDR Sem comentários

Inteligência, s.f. Capacidade de se ter as mesmas opiniões que eu.

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O secretário do Tesouro americano

30, julho, 2002 FDR Sem comentários

O secretário do Tesouro americano insinuou que brasileiros, argentinos e uruguachos mandam ilicitamente dinheiro pra Suíça. Que absurdo! Todo mundo sabe que preferimos as ilhas do Caribe.

Não podemos aceitar calados este insulto! Preparem os Urutus! Decolem os Tucanos! Apontem os mísseis Piranha! Zarpem o cruzador Barroso! A corveta Inhaúma! O navio Babitonga! O submarino Ceará! O caça-submarino Jaguarão! Invadiremos aquele maldito rincão do Bush, com o General Brindeiro, sentado numa mula, um penico na cabeça e brandindo furiosamente uma vassoura, à frente do nosso incrível exército de Brancaleone! Tátátá-tátá! Atacaaaaar!

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Charge de um jornal italiano.

29, julho, 2002 FDR Sem comentários

Charge de um jornal italiano. Dois homens almoçando, um deles fala: “É preciso ter sérios problemas mentais pra ser gay.” O outro comenta: “E pra ser mulher não?”

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Há muito tempo Woody Allen

29, julho, 2002 FDR Sem comentários

Há muito tempo Woody Allen não fazia um filme tão engraçado quanto O Escorpião de Jade. E há muito tempo eu não me divertia tanto num cinema. Two thumbs up.

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Paulo Coelho percorreu o mundo,

26, julho, 2002 FDR Sem comentários

Paulo Coelho percorreu o mundo, se isolou em desertos, peregrinou pelo caminho de São Tiago, rezou em igrejas, mosteiros e mesquitas. Mas, por uma dessas inexplicáveis ironias, só foi alcançar a imortalidade a poucos minutos de sua casa, num palacete do Rio de Janeiro, ao ser eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Agora poderá, finalmente, descansar em paz e aproveitar a eternidade ao lado do José Sarney. Não merecia prêmio menor, o autor de letras de músicas tão sensacionais como “Al Capone”, e de clássicos da literatura, como “O manual prático do vampirismo”.

Alguns invejosos, no entanto, andam a cochichar que sua eleição foi apenas um golpe de marketing; que a Academia, para virar notícia, literalmente “tirou um coelho da cartola”. Outros chegam a espalhar que “o mais mortal dos imortais” conseguiu a vaga graças ao seu grande romance… com Gélida Pinhão.

É claro que esses boatos não serão suficientes para abalar os alicerces da centenária instituição de letras. O culto e pujante povo brasileiro há de perceber o grotesco de tais difamações, e nosso intelectuais arrastarão sem piedade esses cruéis caluniadores ao ainda mais cruel chicote da chacota.

Pois é mais do que evidente que a Academia consagra apenas os maiores dentre os mestres da “última flor do Lácio”, e em suas cadeiras sentam somente as grandes bundas – os bundões – de nossa ilustre literatura.

A cadeira 1, por exemplo, é ocupada por Evandro Lins e Silva, advogado e fundador do Partido Socialista Brasileiro. Uma rápida olhada em sua biografia basta para provar seu enorme valor. Em 99, foi considerado o “criminalista do século” pela Associação dos Advogados Criminalistas do Estado de São Paulo. Em 2000, defendeu entusiástica e corajosamente o guerrilheiro sem terra mas com arma José Rainha, conseguindo livrá-lo dos 26 anos de reclusão a que havia sido condenado pelo singelo assassinato de um fazendeiro e um policial. Participou ativamente do glorioso governo José Sarney e escreveu o livro “Arca dos Guardados”. Gênio.

Outro exemplo está na cadeira 22, pertencente a Ivo Pitanguy. Acho que o famoso cirurgião dispensa apresentações. Entre suas grandes contribuições literárias, destaco a imortal obra “Mamaplastia”, onde o nobre autor discorre com extrema desenvoltura sobre questões fundamentais e permanentes da condição humana, como a redução e o aumento dos seios, a sensibilidade erógena e sensitiva do complexo aréolo-mamilar, a drenagem linfática da mama e o controverso uso do silicone. Uma obra de peito do infatigável cirurgião das palavras.

Não posso deixar de citar também a cadeira 26. Nela senta-se o Vilaça. Marcos Vilaça. É importante, senão absolutamente necessário, ter um imortal com nome de personagem de filme brasileiro. “Porra, Vilaça, teu livro é uma merda, mas pelo menos tu é imortal”.

Há muito, muito mais. Escrotores mundialmente reconhecidos e fervorosamente lidos em nossas escolas e faculdades. Quem nunca ouviu falar em Alberto da Costa e Silva, Marcos Almir Madeira, Alberto Venancio Filho? Ou do autor do maior livro de terror em português, o gramático Evanildo Bechara? Além, claro, do notável José Sarney e do nosso colega jornalista Roberto Marinho.

Com Paulo Coelho, a Academia Brasileira de Letras continua viva – e imortal.

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“Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo

26, julho, 2002 FDR 1 comentário

“Eufemismo, os felizes tempos, eufemismo apenas, igual aos outros que nos alimentam, a saudade dos dias que correram como melhores. Bem considerando, a atualidade é a mesma em todas as datas. Feita a compensação dos desejos que variam, das aspirações que se transformam, alentadas perpetuamente do mesmo ardor, sobre a mesma base fantástica de esperanças, a atualidade é uma. Sob a coloração cambiante das horas, um pouco de ouro mais pela manhã, um pouco mais de púrpura ao crepúsculo — a paisagem é a mesma de cada lado beirando a estrada da vida.” Raul Pompéia, O Ateneu.

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A ararinha-azul está extinta. Ó

26, julho, 2002 FDR 1 comentário

A ararinha-azul está extinta. Ó meu deus.

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Outro dia passei no Planetário.

25, julho, 2002 FDR Sem comentários

Outro dia passei no Planetário. Porta fechada. Alguns materiais de construção à vista. Uma placa. Universo fechado para reforma.

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