


"Saio deste mundo com a convicção de que não é nem a razão nem a verdade que nos guiam: só a paixão e a quimera nos levam a resoluções definitivas.” Epitáfio de David Nasser.
"Desconfio sempre de todo idealista que lucra com seu ideal." Millôr Fernandes.
É assombroso o número de pessoas que gritam, escrevem e fazem passeatas contra as injustiças sociais, mas que são incapazes de ajudar ou mesmo tratar respeitosamente o seu vizinho. O mais curioso, porém, é sua crença de que a melhoria do mundo passa necessariamente pelo aumento de seus privilégios e pela castração dos direitos dos que pensam de modo diferente delas. "Mostre-me um altruísta e eu lhe mostrarei um filho da puta", escreveu Mencken.
Por que os jornais chamam Fidel Castro de presidente? Só falta daqui a pouco falarem no democrático Stalin. No altruísta Hitler. No chefe de estado Lula. Meu deus.
Não deixem de ler a nova coluna do Alexandre Soares Silva, basta clicar aqui. Não deixem de ler as antigas também.
Freud acreditava que toda morte era um suicídio: não apenas uma necessidade biológica, mas também uma vontade inerente ao ser humano de voltar ao pó de partida. Da mesma forma que existe em nós um impulso à vida, algo que nos faz suportar as maiores adversidades, a mesquinharia e a distância do próximo, as catástrofes naturais, o trabalho pesado, a falta de alimentos (vide Moçambique, vide Auschwitz, vide Congo), carregamos também o desejo de que a "bulha e a fúria" da vida cessem por completo.
É difícil aceitar o que diz Freud. A vida pode ser muito mais absurda e incompreensível do que a morte, mas, diabos, a idéia de apagar como uma lâmpada queimada não me agrada nem um pouco. Sou tudo o que tenho. Preciso de mim. E mesmo que a morte não seja a cortina caída pra sempre, mesmo que nos tornemos espírito, fantasma, ectoplasma, ou sei lá o quê, a idéia continua não me agradando nem um pouco. "I can't imagine anything / that I would less like to be / than a disincarnate Spirit / unable to chew or sip / or make contact with surfaces / or breathe the scents of summer / or comprehend speech and music / or gaze at what lies beyond".
Mas encare a possibilidade de viver indefinidamente por aqui. Mesmo se a ciência decretar a morte da morte, remover o insulto da velhice, salvar (com backup) nossas memórias, suportaríamos 10 mil anos the slings and arrows of outrageous fortune? The pangs of despised love? Isso contando que o mundo não exploda nesse meio tempo, hipótese altamente otimista.
O fato é que o para sempre me parece tão assustador quanto o nunca mais. A vida as we know it é insuportável a longo prazo, apesar de que pouquíssimos de nós não gostariam de conferir pessoalmente essa afirmação. Acredito que só se pode, em condições normais de temperatura e pressão, preferir a morte à vida quando se tem a eternidade pela frente. Isso, pra mim, é realmente assombroso. Não podemos admitir a morte, nem suportaríamos a vida eterna. Estamos, caros amigos, numa sinuquinha. O negócio é ir prum bar. E beber mais uminha.
"Estar ciente do que é o Brasil e chegar aos sessenta anos sem se tornar alcoólatra, ficar louco ou se entregar a qualquer tipo de desvario é feito raro." Paulo Francis, Trinta anos esta noite.
Mas se democracia é o sistema pelo qual um país é governado da forma que merece, let´s face it: merecemos o Lula.
Depois de oito anos consertando e arrumando a casa, vamos abrir as portas ao convidado bem trabalhão: Lula vai botar a casa abaixo.
Tenho me lembrado do Dudu. Mais especificamente, dos drops do Dudu. Dividíamos um quarto num hotelzinho de estudantes em São Francisco e estudávamos na mesma escola. Certo dia ele apareceu com uma caixa de drops - drops recém-lançado, de sabor diferente, mais caro que os outros. Estava empolgado (era capaz de se empolgar com as coisas mais insignificantes). Passou alguns minutos louvando sua nova aquisição e dizendo que no Brasil era impossível encontrar bala semelhante. Quando finalmente o experimentou, seu rosto se contraiu numa expressão de nojo: "Que merda! Tem gosto de pasta de dente!" Curiosamente, continuou a chupá-lo. Perguntei por que ele não o jogava fora: “Porque paguei por essa caixa de drops. Eles podem ser horríveis, mas vou consumi-los até o fim." Achei que o Dudu era meio pancada. Hoje, engraçado, vejo a vida exatamente como aqueles drops. Pode ser uma merda, pode ter gosto de pasta de dente, mas já que estou aqui, vou até o fim.
Sempre que saio às ruas no Brasil tenho a impressão de que, se me olhar no espelho, verei aquele quadro do Munch, O Grito...
É preciso uma dose extraordinária de ingenuidade para achar que a prisão de Elias Maluco mudará alguma coisa no tráfico de drogas. Malucos como ele existem às pencas, todos substituíveis. Ao contrário do que sugerem o filme Cidade de Deus e o governo do Rio de Janeiro, as drogas não surgem nas favelas por geração espontânea e sua distribuição não é organizada por favelados sem água encanada. Pessoas ricas e influentes estão por trás e ninguém (nem mesmo a imprensa) parece disposto a "pegá-los".
Cá entre nós, não acho possível acabar com o tráfico através de repressão física ou intelectual. As drogas sempre estarão entre nós e sempre alguém estará disposto a vender e sempre alguém estará disposto a comprar e sempre alguém estará disposto a ser subornado para o bem da transação. O negócio é legalizá-las. Clique aqui pra ler um texto que escrevi a respeito.
A polícia do Rio precisou de mil homens, dois helicópteros, um dirigível e algumas dezenas de viaturas para cercar e prender um favelado descalço, sem camisa e desarmado no apartamento de uma velhinha cega a poucos metros de uma delegacia. Isso é o que eu chamo de eficiência.
Ouço tantas bobagens todos os dias que é um alívio poder ler pessoas sensatas como Carlos Alberto Montaner e Mario Vargas Llosa, mesmo quando falam sobre o óbvio ululante (George Orwell disse certa vez que a principal função do intelectual moderno era restaurar o óbvio - aqui na América Latina talvez seja instaurar). Infelizmente, faz algum tempo que o Estadão não publica artigos do Montaner, mas ele pode ser lido, em espanhol, no site Firmas Press. Vargas Llosa, ainda bem, continua a ser publicado pelo Estadão. Hoje recebi por email seu artigo de 7 de julho, "Queremos ser pobres", que recomendo entusiasticamente. Para lê-lo, clique aqui.
Falta um dedinho pro Lula ganhar no primeiro turno. E agora, José?
Sempre que corro o risco de ficar apaixonado, lembro Dom Quixote. Como você deve saber, Dom Quixote simplesmente enlouquece e começa a achar que é um cavaleiro andante. Vê singelas damas no lugar de fétidas prostitutas, gigantes no lugar de moinhos, feiticeiros no lugar de frades, etc. Como todo cavaleiro andante que se preza, tem que eleger uma donzela para dedicar seus feitos. Escolhe a que considera a mais bela do mundo e lhe dá o nome de Dulcinéia del Toboso. Na verdade, essa Dulcinéia é uma pobre camponesa que prepara porcos em sua aldeia, arrancando suas tripas e os salgando. Isso é o amor. Onde há uma desdentada camponesa salgadora de porcos, vemos uma Dulcinéia del Toboso. Fico me lembrando disso, mas receio que o sarro do Cervantes não seja suficiente para impedir os irresponsáveis e ambiciosos movimentos do meu coração. O que sinceramente lamento. Abaixo o amor.
Dizem por aí que Sarney Hussein está produzindo bomba atômica com urânio brasileiro. Se for verdade, Bush pode ficar tranquilo. Claro que a bomba vai dar chabu.
Falsidade, intriga, desprezo, mesquinharia, crueldade, raiva, egoísmo, injustiça, intolerância, feiúra, brutalidade. E guerras, sequestros, assassinatos. E vulcões, terremotos, maremotos. E fome. E miséria.
A vida tem tudo pra ser um inferno. Mas às vezes, às vezes, deus existe. E dentro de uma caixinha de DVD.
A Flauta Mágica, ópera de Mozart adaptada e dirigida por Ingmar Bergman, lançada em DVD no Brasil, é capaz de varrer para baixo do tapete toda a loucura, maldade, burrice e miséria humanas, e nos fazer encostar por um momento no dedo de deus. Mesmo deus não tendo dedos.
Quando Papageno e Pamina estão fugindo do castelo de Sarastro (grande sujeito que injustamente achamos ser um canalha – mais ou menos como o Fernando Henrique) e são cercados por Monostatos e seus escravos, Papageno toca uma melodia maravilhosa com seus sinos mágicos. Amor e felicidade são irradiados e Monostatos e cia., em vez de prenderem Papageno e Pamina, começam a dançar e a cantar. Durante toda a ópera tenho a impressão de que a música de Mozart tem o poder dos sinos mágicos. Se tocada a todo volume no Oriente Médio, árabes e judeus largariam suas armas, sairiam dos tanques, abandonariam suas bombas e dançariam enfeitiçados. Se encenada num estádio, durante Corinthians e Palmeiras, os torcedores parariam de gritar palavrões e de jogar rojão na torcida adversária e cantariam: “Larala, larala, larala, larala”.
Claro, uma estúpida ilusão. A música de Mozart é e continuará sendo inútil e desagradável para a maioria absoluta das pessoas. E o mundo continuará cheio de falsidade, intriga, desprezo, mesquinharia, crueldade, raiva, egoísmo, injustiça, intolerância, feiúra, brutalidade. E guerras, sequestros, assassinatos. E vulcões, terremotos, maremotos. E fome e miséria (se não material, que pode ser erradicada, ao menos espiritual). Mas para uns happy few, para um pedacinho minúsculo do mundo, o “larala” do Mozart terá o efeito dos sinos do Papageno e a felicidade deixará, por duas, três horas, de ser uma abstração filosófica.
O universo, até onde podemos ver (e podemos ver muito pouco), tem raio de 15 bilhões de anos-luz. Dentro desse raio, há cerca de 10 quadrilhões de planetas (um quadrilhão é igual a 10 elevado à décima quinta potência - o que quer dizer 10 seguido de 15 zeros). Acredita-se que pelo menos 10 bilhões deles tenham condições de vida semelhantes às da Terra. É planeta pra diabo. E fomos nascer logo aqui - no Brasil do Cosmos. Vai ter azar assim lá na casa do chapéu.
Nos cinemas, Cidade de Deus. Na Bienal de Veneza, exposição sobre favelas. Ser "excluído" agora é in.
A miséria brasileira parece fascinar "artistas" e "intelectuais". Dizem que querem conscientizar (palavra disgusting) a população e produzem filmes sobre miséria, escrevem livros sobre miséria, publicam ensaios sobre miséria, promovem exposições sobre miséria, etc - desde, claro, que sejam financiados com dinheiro público, ou seja, nosso e dos miseráveis. Curioso, curioso.
Manchete da Trip: "Jovens param de fumar maconha para não ajudar traficantes". Dessa aí até a velhinha de Taubaté deu cambalhotas de tanto rir.
Que situação a nossa. Bem que deus podia existir.
Minha opinião é a seguinte: o mundo civilizado não pode mais se dar ao luxo de ignorar governos autoritários e calhordas. A tecnologia evoluiu a tal ponto que mesmo países pobres podem desenvolver armas de destruição em massa. Acredito que a melhor maneira de prevenir atentados como os de um ano atrás, ou piores, é destituir malucos como o Sarney Hussein, impor regimes democráticos e abrir caminho para o progresso colocando esses países nos trilhos do livre mercado. As liberdades econômica, de voto e de expressão tendem a fazer com que as pessoas se preocupem com suas próprias vidas e coloquem qualquer ideologia política ou religiosa em segundo plano. Eles jogam aviões em nós? Joguemos McDonald's e Blockbusters neles.
Vai meu irmão
Pega esse avião
Você tem razão
De correr assim
Melhor eu parar de assistir às homenagens do governo americano aos mortos de 11 de setembro. Mais cinco minutos ouvindo aquelas pessoas cantando e eu sequestro um avião.
Ouvi dizer que alunos da USP preparam festa em comemoração aos atentados. Nojente. Pelo menos me garantem que a festa será pra lá de Bagdá.
Presumo que você, um leitor inteligente e informado, deva acreditar piamente na validade da lei de Murphy. Sente-se meu bom amigo, que é chocante o que tenho a lhe dizer: a lei de Murphy é uma farsa. Uma invenção. Um truque sujo de pessoas maléficas para que creditemos nossos pequenos fracassos e azares a uma nebulosa vontade divina. A verdade é bem diferente e eu a revelarei agora pra você.
Coloco minha vida em risco ao tornar pública a existência dessas pessoas. Mas não posso mais guardar segredo. Se um cofre cair sobre a minha cabeça em plena Avenida Paulista ou eu for atropelado por uma jamanta desgovernada, você já sabe. Foram elas.
Durante anos pesquisei a natureza dos meus azares, dos incômodos tão constantes que não poderiam acontecer apenas por acaso. Sempre desconfiei dos caminhões de lixo que surgem do nada e trancam a rua quando eu estou atrasado para um compromisso. E daqueles carros que andam devagarzinho para que eu fique mais uma vez preso no farol vermelho. E daqueles ônibus que passam ao lado do meu carro na velocidade exata para me impedir de ver a garota mais bonita do mundo na calçada ou o número da casa que estou procurando. E dos caixas-eletrônicos que nunca funcionam quando eu mais preciso deles. E da internet, que fica insuportavelmente lenta sempre que vou abrir um email importantíssimo.
Esses fatos, anteriormente explicados pela famosa lei, na verdade são causados por um grupo de pessoas. Pessoas que fariam Hitler ou Stalin parecerem amadores.
A primeira pista que tive da sua existência foi quando passava de carro pela Marginal Pinheiros e vi uma empresa chamada Usina Elevatória de Traição. Sim, de traição. Aquele nome ficou na minha cabeça. Seria uma brincadeira? Ou algo muito mais sério se escondia por trás daquele monstro de concreto? Passei a investigá-la. Meses depois consegui me infiltrar na cia. de viação Trans-Tornado (cujo símbolo é um tornado e cujos ônibus e caminhões estão sempre a me fechar ou a andar a zero por hora na faixa da esquerda).
Apesar dos meus esforços, ainda não tinha conseguido obter nenhuma prova concreta de que os nossos “azares” eram deliberadamente provocados por alguém. Mas um dia fui abordado na minha garagem por um homem bastante estranho. Embora fizesse calor, vestia sobretudo, chapéu e óculos escuros. Tinha uma longa barba e parecia bastante aflito. Me entregou uma pasta e disse rápida e nervosamente: “Tome cuidado. Aqui estão as provas que você tanto procura”. E desapareceu. A pasta continha uma série de documentos. Evidentemente a perdi, mas lembro do que tive a oportunidade de ler. Um dos documentos relatava os salários que meu porteiro recebia para avisar por rádio cada vez que eu saía de casa. Outros detalhavam todo o plano: assim que ele comunicava minha saída, homens começavam a fazer buracos por todo o meu trajeto, caminhões saíam às ruas para me fechar, agentes tiravam do ar os caixas eletrônicos e compravam todos os Marlboros das bancas pelas quais eu passaria. Uma etiqueta estava colada à pasta com o seguinte escrito: Indústria do Caos. Uma organização gigantesca, formada exclusivamente para incomodar eu e você.
Dias depois recebi um telefonema. A pessoa não quis se identificar. Disse que era perigoso falar por telefone, queria se encontrar pessoalmente comigo. Marcamos um encontro num terreno baldio na cidadezinha de Itapevi. Mesmo com medo, fui. Um homem magro, abatido, vestido com molambos saiu de trás de um monte de entulhos (onde, suponho, estava escondido) e veio até mim. Se apresentou como “XW-49”. Disse que fazia parte d’Os Rebeldes, um pequeno grupo de pessoas que também tinham descoberto a existência da Indústria do Caos e lutavam para minimizar seus desastrosos efeitos sobre a população brasileira. Os Rebeldes tentam atrasar as sessões de cinema ou a saída do avião sempre que a Indústria do Caos tenta nos fazer perdê-los. Nos dão passagens em cruzamentos que, sem eles, demoraríamos meia hora para conseguir atravessar. Ameaçam inúmeros garçons para que eles olhem para nossa mesa quando precisamos deles e parem de dizer que o prato que escolhemos “acabou”. Tentam manter as cervejas geladas e fazem o possível para que a luz não acabe minutos antes de começar a Fórmula Um ou a final do Campeonato Brasileiro.
É um trabalho perigoso o dos Rebeldes. Muitos desaparecem sem deixar vestígio. Outros são subornados e viram a casaca. Há ainda aqueles que desistem da luta por considerá-la inócua. Mas alguns poucos continuam firme para que a Indústria do Caos não transforme nossa existência num inferno permanente. São verdadeiros heróis e devemos a eles os poucos momentos de paz que encontramos nessa nossa louca caminhada pela vida.
Tentei rever Major Barbara, não havia mais ingressos, fui ao Espaço Promon assistir a última apresentação de Almoço na casa do sr. Ludwig, de Thomas Bernhard, com direção de... não, me recuso a escrever os nomes dos envolvidos. Se não fosse a última apresentação da peça, eu teria feito com que fosse, teria destruído o cenário e dado uma surra nos atores. Atores! Incapazes de dizer um "bom dia" de forma natural. O tempo todo com maneirismos irritantes, a voz empolada e a dicção ritmada; nem em momentos de extremo delírio eu poderia encontrar neles alguma semelhança com seres humanos de verdade. O ator que interpretava Wittgenstein parecia fazer questão de deixar clara sua preferência sexual e transformar o célebre filósofo numa bicha histérica. De repente, sem motivo algum, ficou pelado no palco, exibindo seu corpo velho e barrigudo por longos e repulsivos segundos.
Este é o teatro brasileiro: um pobre ator que fica pelado no palco, tem um chilique em sua única fala, e nunca mais é ouvido; uma bicha velha cheia de banha e bulha, vista por loucos, significando nada.
Vida é ilusão de vida.
O mundo é um lugar espetacular - se você for bonito, milionário, inteligente, culto, sofisticado e suficientemente insensível.
Se Bush filho tivesse ouvido Supla pai cantando Blowin' in the wind, certamente teria cedido ao apelo do senador e voltado atrás em sua decisão de bombardear o Iraque. Bombardearia o Brasil.
Depois do incêndio que destruiu a igreja matriz de Pirenápolis, a cidade passará a se chamar Pira-nápolis... tá, eu sei, essa foi fraca.
“Contra a estupidez até os Deuses lutam em vão." Schiller.
Sempre que o Lula abre a boca tenho vontade de dizer: menas, Lula, menas.
Achei Cidade de Deus um filme meia boca (de fumo). É bem filmado e bem atuado, o que o faz melhor que 95% das produções nacionais, mas é superficial. Seria apenas um filme de ação comum se a história se passasse num gueto do Bronx, numa vila siciliana ou numa cidade futurística. Mas se passa numa favela carioca e os espectadores de classe média exclamam indignados: "olha o que acontece nas nossas favelas!", como se não soubessem o que acontece nas nossas favelas, como se nunca tivessem lido jornais ou visto televisão. Não basta apenas "retratar" a realidade (supondo que o filme seja razoavelmente fiel a ela), é preciso interpretá-la, investigá-la, aprofundá-la.
Recomendação importante: assista ao filme num cinema que tenha um bom som, tipo Cinemark ou UCI. Eu assisti no Cine Lumière e não consegui entender alguns diálogos.
Se não bastassem a sujeira, a falta de segurança, o asfalto que mais parece solo lunar, o governo do PT resolveu mudar de maneira absurda o zoneamento de São Paulo. E se recusa a revelar o nome dos vereadores envolvidos nessa palhaçada. Querem provar que o fundo do poço é uma ilusão, que sempre dá pra ir mais fundo.
Agora imagine essas pessoas no governo federal. Estarrecedor.
Deu n'O Estado de São Paulo: a vira-lata Xuxa salvou uma mulher e seu bebê de serem destroçados por dois rotweillers e um pitbull, ao enfrentá-los nas imediações da rua Amaralis, no Guarujá. A notícia me chamou a atenção pelo seguinte: a rua Amaralis é a minha rua, e a Xuxa é a simpática cadela vadia que vive zanzando por ali (mais ou menos como o "idiota da aldeia" dos romances russos) e recebe cuidados da minha caseira.
Segundo o jornal, a dona dos cães se chama Odete Pestilo, e embora minha rua seja pequena e sem saída e não tenha mais do que dez casas, não faço idéia de quem seja essa tal de Odete Pestilo. Minha casa foi a primeira a ser construída no bairro, o Portal da Enseada, e a frequento desde que nasci. Especialmente na última década algumas das casas mais feias do mundo foram construídas por lá e a maior parte das decentes foi vendida a caipiras vulgares e repulsivos, como deve ser essa Pestilo. Se o Guarujá já era era uma merda, tornou-se insuportável. Agora uma pergunta: a sra. Pestilo e seus cães serão punidos de alguma maneira? Aposto dez contra um que não. E teremos que conviver com o risco permanente desses cachorros atacarem alguém de novo.
O certo seria deixar essa mulher ser devorada por uma matilha de pitbulls enlouquecidos. E depois demolir sua casa e construir uma praça.
Os aviões de Lula e Maluf quase caíram hoje. Deus não tem dado uma dentro.
Estava sentado no sofá ao lado da Vera Loyola. Ouvíamos Andrea Bocelli cantando Con te partirò e bebericávamos suco de acerola sem açúcar. Os convidados chegaram quase juntos: Anthony Garotinho, Adriane Galisteu, Gerald Thomas, José Saramago, Susan Sontag, Cid Moreira, Heloísa Helena, Raul e Gilberto Gil Gomes, Donald Trump, George Soros, Silvio Berlusconi, Bill Gates, Oprah Winfrey, Frei Betto, Emir Sader, Lulalau, Caetano Veloso, David Letterman, Bill Clinton, Marcia Goldschmidt, Regina Casé, Fidel Castro, Mugabe, Mandela, Maluf, padre Marcelo Rossi, Leão Lobo, Carlinhos Brown, Wagner Montes, Afanásio Jazadji, reverendo Moon, Collor de Merda, Mamma Bruscheta, família Lima, família Sarney, os Di Camargo, Pepeu Ciro Gomes, Baby Consuelo, João Kleber, Jerry Springer e Sally Fields.
Alguém acendeu um incenso e nos acomodamos entre as enormes almofadas espalhadas pelo chão da sala. Mamma Bruschetta fez um rápido strip-tease enquanto o padre Marcelo e o Caê Veloso entoavam E vai rolar a festa, vai rolar. Todos acompanharam batendo palmas ritmadas e soltado gritinhos de excitação. Finalmente um telão desceu do teto até cobrir uma gigantesca genitália colorida pintada por Andy Warhol numa das paredes. As luzes se apagaram. Estávamos prontos pra sessão de oito horas de filmes nacionais e asiáticos.
Então acordei, ofegante e desesperado, do pior pesadelo de minha vida.
José Sarneymago: nobel ou nobilóide?
Por que, ó deus, Andrea Bocelli é cego e não mudo?
Agora tenho certeza. José Saramago e Alberto Dines são a mesma pessoa. Se é que podemos chamá-los de pessoas.
Por que não jogar os responsáveis pelas propagandas da Veja numa jaula cheia de leões famintos?
Arnaldo Cohen, em entrevista à Globonews, diz que admira a Inglaterra, "um país onde a excentricidade é uma virtude". Eu também. A malandragem, a canalhice e a falta de educação do brasileiro, aceitas e até incentivadas pela nossa cultura do "jeitinho" e da lei de Gerson, são lamentáveis, mas o que mais me incomoda é sua aversão à excentricidade. O brasileiro é terrivelmente chato.
Mais uma do Lula: "Agora ninguém precisa mais ser mais comunista para resolver os problemas do país". Antes precisava? E agora? Basta ser débil mental?
Acho que vou passar na Rio +10. Levarei minha faixa: "Preserve o meio ambiente. Jogue fora um ativista ambiental."
Essa dúvida, essa vida, dádiva, ou dívida?
Lydia, oh Lydia, say, have you met Lydia?
Lydia The Tattooed Lady.