


Da série As melhores notas de suicídio de todos os tempos:
"Pulei pela janela." (Professor Louis Levy)
Eis aqui uma verdade. Quando pequenas as pessoas podem até ser bonitinhas, inofensivas e coisa e tal, mas a maioria absoluta tem prazo de validade e a validade logo vence. Ficam podres. É como comida. Se estiver estragada, não adianta esquentá-la, refogá-la, temperá-la. Experimentou, vai passar mal. Não tem jeito. Uma vez flamengo, sempre flamengo.
O grande lance nessa vida é encontrar pessoas não-perecíveis.
Da série As melhores notas de suicídio de todos os tempos:
"Um cafezinho e a conta, por favor." (Salvador McNamara)
Embora presente em meus pensamentos, tornando meus dias mais escuros e me obrigando a passar noites em claro, a morte parecia pertencer a um futuro distante, a um futuro de ficção científica. Não podia supor, com minha imaginação de menino de 12 anos, que ela estava dentro de mim, disfarçada de vida. É esse o seu truque espetacular, o seu disfarce de gênio. Eu, morrendo de medo da morte longínqua, olhando adiante, não via que estava sendo consumido diariamente. Assim como os olhos não enxergam com nitidez nenhum objeto muito próximo da retina, eu não percebia a morte em mim, eu olhava adiante, e qual uma célula que se divide, tornando-se outra embora sem deixar de ser totalmente ela mesma, fui sendo quebrado, dividido, morto, mas obrigado a continuar em frente, sem ter propriamente um passado, nem a esperança de ter ainda um futuro.
Sei que não sou quem fui, nem serei quem serei. Não tenho uma imagem fixa, mudo, giro, morro, como os átomos que me formam não tenho forma, sou um risco, um traço, a fumaça daqueles jatos que o sol ilumina por pouco no céu, e se dissolve ao mesmo tempo em que é criada.
Se eu fosse escrever a minha autobiografia, ela só se ocuparia com o dia de hoje. E amanhã não seria mais minha.
Mas aceitamos, temos que aceitar, que temos memórias, que elas são nossas, que somos vivos, apesar de tudo. Se agora eu escorregar, bater a cabeça na quina do móvel e perder todas as minhas lembranças, aquele fino fio que atravessa a nossa existência, nos costurando, nos dando a ilusão de unidade, se romperá, e então minha alma estará morta. E o corpo ainda vivo será capaz de criar outra para habitar essa estranha caverna de carne e osso.
Lula, mesmo depois de eleito, continua usando broche do PT na lapela. Qualquer semelhança com o nazismo e o fascismo é mera coincidência?
Hoje, às 20h30 no Mosteiro de São Bento, começa o IX Festival Internacional São Bento de Orgão, que nesta edição traz a São Paulo vários organistas canadenses (blame Canada!) e faz duas importantes homenagens: o centenário de nascimento do francês Maurice Duruflé e os cinquentas anos do compositor Amaral Vieira. O Festival se estende por todas as terças-feiras, sempre às 20h30, até 17 de dezembro. Quem perder é mulher do padre. Ou melhor, do monge.
Quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o Ministério da Fazenda do governo Itamar Franco, Roberto Campos lhe disse "que suas possibilidades de sucesso seriam diretamente proporcionais à sua capacidade de arrependimento de erros passados". Digo o mesmo ao Lula.
Leio no site do The Times que o nosso futuro presidente se chama Senhor de Silva, e o atual, Fernando Enrique. Isso mostra a importância do Brasil no mundo.
Ai, ai, ai! Cinco ais! Ou melhor, AI-5! A vocação para órgão censor da tal da justiça eleitoral não poderia ser mais explícita, mas estranhamente o presidente da república finge ignorar o assunto, a própria imprensa mal o comenta e os nossos “intelectuais” preferem discorrer sobre os vinhos que os candidatos bebem. Nos últimos meses, a justiça eleitoral proibiu opiniões políticas na tevê e no rádio, fechou a rádio K de Goiás, processou jornalistas que ousaram dizer o que pensam, impediu o candidato José Serra de mencionar a ligação do Lula com as Farc, censurou o Correio Braziliense e está promovendo com o PT uma verdadeira caça às bruxas: emails anedóticos ou mentirosos sobre o partido e seu candidato estão sendo rastreados e aqueles que os repassam correm sério risco de serem processados (eu conheço duas pessoas que estão sendo processadas). Sem falar no site antilula.blogspot.com, que foi ameaçado de tal forma que seus organizadores acharam mais prudente tirá-lo do ar. É a boa e velha democracia das esquerdas. Cuba, here we go.
Hoje completo mais uma volta em torno do sol. Um pouco tonto. Vivemos rapidamente enquanto morremos lentamente. Não é uma contradição?
Pára, meu coração!
Não penses! Deixa o pensar na cabeça!
Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!
Hoje já não faço anos.
Duro.
Somam-se-me dias.
Serei velho quando o for.
Mais nada.
Raiva de não ter trazido o passado roubado na algibeira!...
"Oh! deuses miseráveis da vida, por que nos obrigais ao incessante assassínio de nós mesmos, e a esse interminável desperdício de ternuras?" Rubem Braga, "A Navegação da Casa".
Artigos de Roberto Campos, Eugênio Gudin, Miguel Reale, José Guilherme Merquior, Mario Henrique Simonsen, Nelson Rodrigues, Jarbas Passarinho, Meira Penna e Olavo de Carvalho num único site? Clique aqui.
Não há inteligência na felicidade.
Que grande ironia o Lula defender a coletividade e não conseguir falar no plural.
Plural é coisa de elite. Povo mesmo vive no singular.
Os companheiro vai ver que com os governante das esquerda e as derrota do neoliberalismo o Brasil vai se tornar um país singular.
Mais uma direto dos esgotos da net:
“Boris ousaria perguntar a Serra a marca do terno que usava? Se fosse Serra, Elio (Gaspari) teria se indignado com o consumo de alguns goles de Romanée-Conti? A resposta é não. E a razão é simples. Boris e Elio deixaram transparecer profundo preconceito social. As críticas relacionadas à formação escolar do candidato petista jogam no mesmo time. Cada macaco no seu galho, diz o recado. Não invada os domínios da elite. Sua boca é boca de pobre. E boca de pobre é só pra caninha 51. Romanée-Conti não é pro seu bico. Nem terno Armani.”
Que coisa. Se a tal da "elite" bebe vinho de seis mil reais, é canalha. Se o Lula bebe vinho de seis mil reais, ela também é canalha.
Encontrei pelos esgotos da net uma singela crítica a este humilde blog e ao Página/18, escrita por um tal de Stardust: "Dois blogs extremamentes preconceituosos e de mal gosto." É ou não é um comentário extremamentes singular? Por essa e por outras que prefiro insultos a elogios. Me fazem me sentir muito mais inteligente.
Fazer reportagens sobre cestas de vime ou bueiros entupidos não é muito pra quem tinha a pretensão de viver de romances e concorrer ao Nobel (apenas concorrer, ganhar é pra embusteiros). Mas a vida é assim. Mais ou menos como tentar chegar em algum lugar de São Paulo seguindo apenas as indicações de placas nas ruas. Vire à direita. Vá reto. Esquerda. Direita. Direita. E depois não há mais placa nenhuma e você está perdido num bairro de que nunca tinha ouvido falar antes.
Vida. Diversão garantida ou a sua morte de volta.
A boa filosofia é engenhosa, estimulante e inútil, como um jogo de xadrez.
Hoje os iraquianos vão às urnas. Na presença de oficiais armados, devem escrever seus nomes e responder “sim” ou “não” à pergunta: “Você concorda que Saddam deva permanecer presidente?” Na última eleição, sete anos atrás, 99.96% votaram “sim”. É a festa da democracia.
Mas o mais interessante é a música tema da campanha de Saddam: a xaroposa I Will Always Love You, cantada por Whitney Huston. Juro! Se não acredita em mim, dê pelo menos algum crédito ao The Times. Entre lá e procure a reportagem do dia dez sobre a eleição iraquiana.
Mark Steyn, colunista do Sun-Times, comentou, muito sabiamente, que I Will Survive seria mais adequada ao simpático bigodudo assassino.
As boates de Bali estão bombando este ano.
"Não vejo problema algum no Lula tomar vinho de sete mil reais. O problema seria se ele deixasse o dedo mindinho esticado ao levantar o copo, o que é muito feio. Mas algo me diz que ele não corre esse risco." Jean Lagostin, no Página/18.
O Programa de Governo do PT é uma das melhores obras de ficção já escritas no país.
Ainda segundo o Programão, é fundamental a “ampliação do nível de emprego para reduzir o desemprego.” Que lógica admirável, que frase lapidar!
Segundo o Programa de Governo do PT, urge apoiar “a capilarização da rede bancária visando assegurar financiamento sem maiores trâmites burocráticos.” É isso aí! Chega de redes bancárias carecas! De carecas já bastam o Serra e o Espermatozóide Amin.
Leio no blog direita.blogspot.com que a tradução do livro Capitalismo e Liberdade, do grande Milton Friedman, está disponível de graça pra galera. Basta clicar aqui.
Praticamente todos os eleitos são Cacarecos enlouquecidos – e verdade seja dita: representam muito bem a população. O Enéas Maluco não só acha que “a bomba atômica é fundamental” como quer “anular as privatizações” e “romper completamente com o sistema financeiro internacional”. Lula, embora fisicamente lembre mais o macaco Tião, já demonstrou inúmeras vezes “pensar” de forma semelhante ao Cacareco-mor.
Triste, triste, triste. Somos uma nação de rinocerontes.
Agora estão todos juntos: Lula, Sarney, Quércia, Itamar, Ciro, Garotinho, Maluf e Antônio Carlos Magalhães. É a verdadeira aliança do mal.
Podemos ter pequenos interlúdios de sensatez, como os governos Castello Branco e Fernando Henrique, mas, ao fim e ao cabo, o mal sempre vence no Brasil.
Medida de contenção populacional, em caráter de urgência: apedrejamento de todas as pessoas que colocam musiquinhas no celular.
Enfim as pessoas começaram a falar mal do Lula. Infelizmente pelo motivo errado. Reclamam que o ex-torneiro mecânico aceitou e bebeu um vinho de quase sete mil reais oferecido pelo seu assessor de marketing, Duda Mendonça. Claro que só um idiota compra vinho de sete mil reais. Mas venhamos e convenhamos: é preciso ser ainda mais idiota para se recusar a bebê-lo.
Por falar em Meira Penna, leio num artigo dele que o patrício Ciro Gomes pretendia estatizar a água, "o recurso natural mais precioso da nação". Inacreditável. Muitos anos atrás, quando eu e o Rafael Azevedo dividíamos um quarto nos Estados Unidos, uma de nossas diversões era ironizar a mania estatista do Bananão. Imaginávamos um monte de hippies acampados em frente ao Planalto, tocando e cantando a melodia da marchinha "Cachaça":
Se você pensa que a água é nossa
A água não é nossa não
Agora ela é dos gringos
Até nisso eles botaram a mão
E a vida, mais uma vez, imita a piada.
"O Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo." Frase de Fréderic Bastiat citada hoje pelo almirante Mario Cesar Flores, que por sua vez pegou a citação do livro "O Espírito das Revoluções", de J.O. de Meira Penna.
Lição do dia: nunca, absolutamente nunca, vote em barbudos ou bigodudos. Tá na cara que "dá bigode".
Quem é você, que não sabe o que diz?
Meu deus do céu, que palpite infeliz
Os nobres deputados Enéas, Vicentinho, Ronivon, Erundina, Aleluia, Zezéu, Cambraia, Mussa, Lipnik, Átila, Maninha, Wasny, Tatico, Pe Zé, Sigmaringa Seixas, Aldo Rebelo, Jader Barbalho, Perpétua Almeida, Pastor Divino, Confúcio Moura, Nilton Capixaba, Givaldo Carimbão, Pauderney Avelino. Os excelentíssimos senadores Papaléo, Capi, Delcidio, Serys, Duciomar, Jucá, Paim, Zé Maranhão, Mão Santa, Fátima Cleide, Roseana Sarney, Marina Silva, Antonio Carlos Magalhães. E acima de todos, Lula, o presidente!
Ah, Brasília! Nossa arca de Noé!
Boa notícia é o director’s cut de Amadeus, com vinte minutos adicionais, lançado recentemente nos Estados Unidos e na Europa.
Ao contrário do que muita gente pensa, Amadeus não é uma biografia de Mozart, mas uma ficção que se utiliza de algumas frases e situações vividas por ele e se baseia na lenda de que Salieri, compositor da corte vienense, planejou assassiná-lo.
É um dos filmes mais divertidos já feitos, primorosamente filmado, com uma trilha sonora pra lá de espetacular. Enquanto não chega na Bananalândia, você pode ler o roteiro completo clicando aqui.
Segundo o Le Monde, Lula disse em off que as eleições brasileiras são uma "farsa", um meio para "a tomada do poder". Well... Lulinha paz e amor? Nem aqui nem na China.
Rien.
A justiça francesa proibiu o "arremesso de anões", sob a alegação de que essa peculiar brincadeira é um atentado à pequena dignidade humana. Os anões que ganhavam a vida sendo jogados de um lado para o outro em boates, festas e circos, agora desempregados, prometem recorrer. Vão entrar com uma ação no tribunal de pequenas causas.
Espero que o Lula ganhe no primeiro turno. Pra que prolongar a agonia e manter viva uma esperança irracional por mais quatro semanas? É como um sujeito em coma irreversível num hospital. Desliga logo as máquinas, pô.
Há quem ache a Martinha Suplício uma prefeita de parar o trânsito. E a Benedita da Silva uma governadora de fechar o comércio.
“Eis, pois, que as portas do inferno giram sobre os gonzos, com um ruído ensurdecedor, sem que isto perturbe o sonho hipnótico de um país em cujo rosto adormecido o observador, se atento, não deixaria de perceber um certo ar de idiotice angélica, comum a todos os que se deixam matar dormindo.” Olavo de Carvalho está falando aí do Brasil, que, segundo ele, cairá “definitivamente sob o domínio da narco-revolução continental” com a ascensão do sr. Lula da Silva. Já Delfim Netto está convicto de que “o PT é um bicho normal, como a social democracia alemã ou o trabalhismo inglês."
A minha opinião está em algum lugar entre essas duas. Não acredito, ou não quero acreditar, que seguiremos os passos da Venezuela e viveremos novamente sob uma ditadura. Mas também não consigo imaginar o governo Lula com o grau de responsabilidade dos governos inglês e alemão.
Minha bola de cristal diz que veremos o país fechar a porta ao capital estrangeiro, aumentar irresponsavelmente os gastos públicos, estimular a inflação e diminuir a liberdade econômica e a produção de riquezas. Voltaremos aos terríveis anos 80.
Mas não custa nada rezar para que Delfim esteja certo e Olavo completamente enganado. Quem sabe deus, que manteve saudável distância de todos os crimes e loucuras da humanidade, se comova com o destino brasileiro e resolva finalmente abandonar seu torpor para dar um dedinho de bom senso ao PT?