Para aumentar o número de empregos, o PT pretende diminuir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem a consequente redução de salários. É uma proposta realmente fascinante. Ela diz: “olha pessoal, nós temos trabalhado muito e o Brasil continua pobre. Quem sabe se trabalharmos menos, não conseguiremos finalmente ficar ricos e criar mais empregos? Hein, hein?”
Não é uma lógica brilhante? Mas vamos dar uma olhada nas conseqüências. Quando se diminui a jornada de trabalho e mantém-se os salários, o empregador têm duas opções: diminuir a oferta de seu produto ou serviço, ou contratar mais empregados. Se diminuir a oferta, o custo de produção aumenta. Se o custo aumenta, o preço sobe. Se o preço sobe, as vendas caem. Se as vendas caem, há menos consumo. Se há menos consumo, produz-se menos. Se há menos produção, diminui-se a necessidade de trabalhadores. Daí, desemprego.
Se optar por contratar mais funcionários, o custo de produção aumenta. Se o custo aumenta, o preço sobe. Se o preço sobe, as vendas caem. Se as vendas caem, há menos consumo. Se há menos consumo, produz-se menos. Se há menos produção, diminui-se a necessidade de trabalhadores. Daí, desemprego.
Outra proposta igualmente bem-intencionada e catastrófica é o plano Fome Zero. Acho que todo mundo concorda – exceto, talvez, alguns faquires e algumas modelos – que passar fome é extremamente desagradável e que seria louvável exterminar a fome do mundo. O ponto é como fazer isso. Diversos países conseguiram exterminá-la diminuindo o controle do Estado sobre a economia. Segundo o PT, há uma maneira ainda mais eficaz: basta o Estado distribuir comida. Sem dúvida, um plano de simplicidade comovente.
Convém, porém, lembrar que o governo não tira comida do vácuo. Ela precisa vir de algum lugar e alguém tem que pagar por ela. E quem paga é a população, já que o governo não gera riqueza.
O Fome Zero prevê gastos de cinco bilhões de reais na compra e distribuição de comida. Isso quer dizer que cinco bilhões serão pulverizados para aumentar a burocracia e manter os pobres pobres (mas de barriga cheia). Seria muito mais adequado usar esse dinheiro em investimentos no setor privado e em educação (investimentos em educação tendem a ser reverter, a longo prazo, em produção), para ajudar o país a se desenvolver, criar mais riqueza e empregos e oferecer aos pobres a justa oportunidade de se alimentar e alcançar uma vida mais confortável através de seus próprios esforços. O Fome Zero, lamentavelmente, será apenas mais uma contribuição dos nossos nobres políticos para a perversa manutenção da miséria.
A verdade é que precisamos tomar muito cuidado com propostas mágicas cheias de boas intenções. Não raro, elas causam mais malefícios a um país do que todos os corruptos e canalhas juntos.
Como escreveu F. Hoelderlin, “O que sempre fez do Estado um inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso.”