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Arquivo de novembro, 2002

saúde pra dar e perder

29, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Uma hora e meia de bicicleta por dia. Caminhadas. Corte drástico de cevada. Corte drástico de fritura. Corte drástico de cigarro. Dieta de vegetais, frango grelhado e água mineral. Mais caminhadas. Meu corpo não tá acostumado com isso. Receio empacotar de uma hora pra outra. E se saúde me fizer mal?

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Meu bom amigo Felipe Ortiz

28, novembro, 2002 FDR 1 comentário

Meu bom amigo Felipe Ortiz anda a citar Antero de Quental e a falar em depressão. Pobre rapaz. Em sua homenagem, cito aqui um célebre poeminha de Dorothy Parker:

Razors pain you;

Rivers are damp;

Acids stain you;

And drugs cause cramp.

Guns aren’t lawful;

Nooses give;

Gas smells awful;

You might as well live.

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Não gosto de shows, não

26, novembro, 2002 FDR 1 comentário

Não gosto de shows, não suporto aglomerações e cada vez mais me aborreço com música popular. Mas sábado de manhã fui ao show do Toquinho, na praça Vinícius de Moraes (aquela em frente ao “Palácio” do Governo), e devo confessar que me diverti e me surpreendi com a relativa civilidade do público. Mulheres bonitas, lugar limpo, quantidade aceitável de pessoas. E como toca bem o Toquinho. Devia ser chamar Tocão (tá, eu sei, essa foi fraca).

Houve apenas um incidente desagradável: o Otávio Mesquita, de shortinhos, ficou uns dois minutos ao meu lado, segurando com força a coleira para impedir seu cachorro de devorar alguns poodles.

O Toquinho contou várias histórias sobre o Vinícius de Moraes, todas engraçadas. Certa vez, o nosso “poetinha maior” resolveu homenagear Pablo Neruda em uma de suas músicas (esqueci qual) e acrescentou à letra uns versos do poeta chileno. Neruda leu a letra e não entendeu a homenagem. Olha aqui, disse Vinícius, esses versos são seus! Neruda negou, os versos não são meus. Claro que são. Não são. Pra tirar a dúvida, mostraram os versos pra esposa do Neruda, que conhecia intimamente toda sua obra. Ela deu o veredicto: são de um tango argentino! Todos lembraram do tal tango e Vinícius ficou extremamente constrangido. Percebendo o constrangimento, Neruda comentou: “Vinícius, não fique assim. Esses versos são realmente muito bonitos. Eu devo ter esquecido de escrevê-los”.

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“Dar dinheiro e poder ao

26, novembro, 2002 FDR Sem comentários

“Dar dinheiro e poder ao governo é como dar uísque e chaves de carro a adolescentes.” P. J. O’Rourke

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Durante a campanha eleitoral, o

26, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Durante a campanha eleitoral, o PT prometeu levar a cabo a tão esperada reforma tributária que desoneraria a população e permitiria um crescimento mais acelerado, e ajudou a criar um consenso quanto a sua importância para o país. O PT mudou! O PT agora é um partido responsável! Vamos votar no PT! Mas, para o governo diminuir os impostos sem apelar à inflação (que, no fim das contas, é o imposto sobre os pobres), precisa enxugar seus gastos. O PT, como se sabe, é o partido do funcionalismo público e do dirigismo econômico. Sempre lutou para aumentar os gastos do governo, seja através de subsídios, seja através do aumento de funcionários públicos e seus privilégios.

Não é surpreendente, portanto, que depois de se eleger ao executivo e consolidar o consenso quanto a necessidade da reforma tributária, o partido tenha invertido a finalidade da reforma: em vez de diminuir os encargos, ela deve aumentá-los.

O resultado é evidente: aqueles que produzem e consequentemente tornam o país mais rico, são punidos com impostos extorsivos. Aqueles que são incompetentes para produzir – funcionários públicos, empresas subsidiadas – são beneficiadas, pois o dinheiro tomado do setor produtivo é repassado a eles.

Hoje, a cada três reais que você gasta, um vai pro governo. Isso não é tributo, é roubo. Se já é quase impossível crescer desta forma, imagine como as coisas vão ficar se o PT conseguir aprovar sua reforma!

O certo seria colocar todos os petistas de castigo e obrigá-los a escrever cem vezes na lousa aquela frase do Ronald Reagan: “o imposto gera sua própria despesa, o imposto gera sua própria despesa, o imposto gera sua própria despesa”.

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Mais um crime pra chocar

25, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Mais um crime pra chocar o pessoal. Um tal de Napolitano (nome apropriado) retalhou a avó com uma faca de cozinha e roubou a cadeira de rodas da velhota. Lembro de Lady Britomart, em Major Bárbara, do velho Shaw: “It is only in the middle classes, Stephen, that people get into a state of dumb helpless horror when they find that there are wicked people in the world.”

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Ter filhos é levar longe

24, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Ter filhos é levar longe demais essa história de tamagochi.

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Se a vida é um

21, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Se a vida é um jogo, tiramos a carta “volte vinte casas” ao eleger o sr. Luiz Inácio Louco da Silva – o que quase nos leva pra fora do tabuleiro. Mas tudo bem. Ninguém passa do fundo do poço. E, uma vez lá, só dá pra ir pra cima.

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Para aumentar o número de

19, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Para aumentar o número de empregos, o PT pretende diminuir a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais sem a consequente redução de salários. É uma proposta realmente fascinante. Ela diz: “olha pessoal, nós temos trabalhado muito e o Brasil continua pobre. Quem sabe se trabalharmos menos, não conseguiremos finalmente ficar ricos e criar mais empregos? Hein, hein?”

Não é uma lógica brilhante? Mas vamos dar uma olhada nas conseqüências. Quando se diminui a jornada de trabalho e mantém-se os salários, o empregador têm duas opções: diminuir a oferta de seu produto ou serviço, ou contratar mais empregados. Se diminuir a oferta, o custo de produção aumenta. Se o custo aumenta, o preço sobe. Se o preço sobe, as vendas caem. Se as vendas caem, há menos consumo. Se há menos consumo, produz-se menos. Se há menos produção, diminui-se a necessidade de trabalhadores. Daí, desemprego.

Se optar por contratar mais funcionários, o custo de produção aumenta. Se o custo aumenta, o preço sobe. Se o preço sobe, as vendas caem. Se as vendas caem, há menos consumo. Se há menos consumo, produz-se menos. Se há menos produção, diminui-se a necessidade de trabalhadores. Daí, desemprego.

Outra proposta igualmente bem-intencionada e catastrófica é o plano Fome Zero. Acho que todo mundo concorda – exceto, talvez, alguns faquires e algumas modelos – que passar fome é extremamente desagradável e que seria louvável exterminar a fome do mundo. O ponto é como fazer isso. Diversos países conseguiram exterminá-la diminuindo o controle do Estado sobre a economia. Segundo o PT, há uma maneira ainda mais eficaz: basta o Estado distribuir comida. Sem dúvida, um plano de simplicidade comovente.

Convém, porém, lembrar que o governo não tira comida do vácuo. Ela precisa vir de algum lugar e alguém tem que pagar por ela. E quem paga é a população, já que o governo não gera riqueza.

O Fome Zero prevê gastos de cinco bilhões de reais na compra e distribuição de comida. Isso quer dizer que cinco bilhões serão pulverizados para aumentar a burocracia e manter os pobres pobres (mas de barriga cheia). Seria muito mais adequado usar esse dinheiro em investimentos no setor privado e em educação (investimentos em educação tendem a ser reverter, a longo prazo, em produção), para ajudar o país a se desenvolver, criar mais riqueza e empregos e oferecer aos pobres a justa oportunidade de se alimentar e alcançar uma vida mais confortável através de seus próprios esforços. O Fome Zero, lamentavelmente, será apenas mais uma contribuição dos nossos nobres políticos para a perversa manutenção da miséria.

A verdade é que precisamos tomar muito cuidado com propostas mágicas cheias de boas intenções. Não raro, elas causam mais malefícios a um país do que todos os corruptos e canalhas juntos.

Como escreveu F. Hoelderlin, “O que sempre fez do Estado um inferno foram justamente as tentativas de torná-lo um paraíso.”

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Há um abismo entre o

18, novembro, 2002 FDR Sem comentários

Há um abismo entre o que penso e o que sou.

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