Arquivo

Arquivo de abril, 2003

Pingo de Galinha

30, abril, 2003 FDR 17 comentários

Segui a recomendação da Veja São Paulo e fui a uma lanchonete interessantíssima, B&B – Burger e Bistrot, na rua Bela Cintra.

Os manobristas empilham Mercedes na calçada. Os garçons são solícitos e incompetentes. Os clientes, ao som de música lounge (tão lounge, tão perto), comem com talheres de prata hambúrguer com queijo prato.

De entrada, é possível pedir coxinha. Mas cuidado. Seria um terrível faux pas pronunciar coxinha, palavra tão cozinha, tão vulgar. Deve-se dizer pingo de galinha.

Juro. Pingo de galinha. Você pede pingo de galinha e o garçom traz rindo uma porção de coxinhas.

Encantador.

Mas o melhor são os preciosos ridículos que adubam o local. Gente que faz curso de vinho e assiste a corrida de Stock Car.

De rolar de rir.

Nota nove.

(E agora me pergunto por que escrevo sobre isso em vez de falar de Mazeppa, do Liszt, ou do concerto para órgão do Poulenc, duas obras espetaculares que tenho ouvido com cada vez mais fascínio. Bem, talvez por um motivo semelhante ao que faz você estar lendo esse blog agora, e não Shelley ou Shakespeare)

Pingo de galinha!

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Alexandre Soares Silva

28, abril, 2003 FDR 10 comentários

Calma, garotas. Não se desesperem. O Alexandre Soares Silva não abandonou o blog, apenas mudou de endereço. Calma, calma! Vou passar o novo endereço pra vocês, mas antes me prometam se comportar civilizadamente. Prometem? Muito bem. Façam fila aqui. É pra entrar uma por vez. Soaressilva.wunderblogs.com

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Wunderblog

27, abril, 2003 FDR 9 comentários

Empacotei meus arquivos e chamei a Granero. Adeus, Blogger. Como cantam lá na ópera do velho Ludwig, mir ist so wunderblog.

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Nopáleas e Cactus

27, abril, 2003 FDR 4 comentários

Às vezes, às vezes, penso que os brasileiros são como nopáleas e cactus.

Afeiçoaram-se aos regimes bárbaros; repelem os climas benignos em que estiolam e definham. Ao passo que o ambiente em fogo dos desertos culturais parece estimular melhor a circulação da seiva entre os seus cladódios túmidos.

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Dies Irae

24, abril, 2003 FDR 8 comentários

Bastam os primeiros minutos do Dies Irae do Verdi para que todas as bandas de heavy metal, com seus morcegos decepados e suas caixas de som a todo volume, coloquem o rabo entre as pernas e saiam fazendo “caim, caim, caim”.

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Há momentos em que se

23, abril, 2003 FDR 2 comentários

Há momentos em que se duvida seriamente da existência de um mínimo de bem neste mundo miserável. São momentos terríveis, de angústia infinita, mas se você prestar bem atenção, se você olhar bem lá no fundo de você mesmo, talvez perceba, passeando pelas sombras da alma, de fraque e cartola, assobiando e olhando distraidamente para os lados, a glória, a majestosa glória, a glória de se sentir o melhor ser humano vivo.

Há uma enorme alegria escondida sob os escombros de nossas ilusões.

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Sábato Magaldi diz ao Estado

22, abril, 2003 FDR 2 comentários

Sábato Magaldi diz ao Estado de S. Paulo que o governo deve subsidiar o teatro, essa gloriosa instituição que nos deu Shakespeare e Ibsen, destruída impiedosamente pelo “neoliberalismo”. Magaldi é mais uma das bestas bem intecionadas que galopam pelo palco podre deste mundo. Não tenho dúvida, é com as melhores intenções que ele defende que o governo tome dinheiro das pessoas para investir justo no seu ramo profissional. Pois subsídio, não se engane não, é dinheiro tomado de uns pra dar a outros. É o seu dinheiro que vai parar no bolso do Zé Celso (se o Zé Celso usasse roupa). É o dinheiro do pobre coitado que acorda às quatro e meia da manhã, come um pedaço de pão com gordura, caminha sete quilômetros, toma um trem e três ônibus e… bom, chega, acho que deu pra você pegar o recado. O governo pega dinheiro desse sujeito e dá ao filho viado de uma produtora cultural amicíssima do minissssstro (ela diz minissssstro, cuspindo salivas douradas em nossos olhos), para que ele monte uma versão superrrmoderrrrna de Hécuba, onde o próprio Eurípedes aparece como uma bicha velha, bêbada e barriguda, deprimida com os rumos da civilização e sofrendo amargamente pelo teatro, essa gloriosa instituição que nos deu Shakespeare e Ibsen, destruída impiedosamente pelo “neoliberalismo”.

E o pior é que o Brasil nunca teve nada sequer parecido com o que se chama de neoliberalismo. Da mesma forma que nunca teve nada sequer parecido com o que se chama de teatro.

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Coelhinhos, ovos de chocolate, ressurreição

19, abril, 2003 FDR Sem comentários

Coelhinhos, ovos de chocolate, ressurreição de Cristo… francamente. Feriados religiosos são de um ridículo atroz. Poderíamos trocá-los todos por feriados da Turma da Mônica.

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De Bach a Fidel, passando por Frederico, o Grande, e Luciano, o Huck, em 30.7 segundos

15, abril, 2003 FDR Sem comentários

Bach não teve em sua época a fama que tem hoje. Em 1740, um jornal fez uma enquete (a enquete é uma praga antiga) sobre os melhores músicos alemães. Telemann ficou com o primeiro lugar. Händel com o segundo. Bach com o sétimo. Atualmente, apesar de mais conhecido e festejado, ficaria atrás da Nina Hagen.

Os historiadores costumam contar uma célebre historieta como se fosse motivo de honra e orgulho ao compositor. Em 1747, Bach foi convidado a tocar na corte de Potsdam. Ao saber de sua chegada, Frederico, o Grande, exclamou: “O velho Bach está aqui! O velho Bach está aqui!”. Mas convenhamos. Nenhum rei chega aos pés do velho Bach.

Motivo de orgulho é a Oferenda Musical, composição que Bach dedicou a Frederico. Olha só eu chamando o rei pelo primeiro nome, como se ele fosse um conhecido e costumasse beber caipirinha comigo no Guarujá. Outro dia, ouvi uma mulher falando sobre o apresentador Luciano Huck. Ela dizia: “Porque o Luciano, sabe, o Luciano está construindo uma pousada em Noronha”. Parecia que ela era íntima do Luciano. E não só isso. Parecia que ela era amicíssima de Fernando de Noronha.

E os esquerdinhas que chamam Fidel Castro de Fidel e Che Guevara de Che?

Fidel simplesmente matou milhares de pessoas. Não importa. O pessoal tem com ele a maior intimidade, e um carinho impressionante: “Como eu dizia, o Fidel…”.

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É com ilimitada alegria que

15, abril, 2003 FDR Sem comentários

É com ilimitada alegria que recebo a notícia de que quatro filmes com músicas de Cole Porter estão sendo lançados em DVD no Brasil: Alta Sociedade, Dá-me um beijo, Meias de Seda e Les Girls. O único disponível em vídeo é Alta Sociedade, que sempre assisto quando bate aquela tristeza que me impele ao nó da forca. A beleza de Grace Kelly, o trompete de Louis Armstrong, as vozes de Frank Sinatra e Bing Crosby! Ah, bem melhor que Prozac. Os outros são os filmes que nunca vi e mais quero ver.

Já sei como vou passar a Páscoa.

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