Arquivo

Arquivo de julho, 2003

Cavatina

31, julho, 2003 FDR 1 comentário

“Ninguém que compreende a minha música pode ser completamente infeliz.” Ludwig van Beethoven.

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We said goodbye with a

29, julho, 2003 FDR 2 comentários

We said goodbye with a highball

Then I got as high as a steeple

But we were intelligent people

No tears, no fuss

Hurray for us

So thanks for the memory

And strictly entre nous

Darling, how are you?

And how are all those little dreams

That never did come true?

Awf’lly glad I met you

Cheerio and toodle-oo

And thank you so much.

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Dois em Um

29, julho, 2003 FDR 4 comentários

José Dirceu diz a Veja que é católico. E ateu. Além de socialista, e democrata. José Dirceu é um homem dois em um. Tem sempre convicções opostas. Nos anos 70, vendia calças jeans no Paraná com o nome de Carlos Henrique, sem no entanto deixar de ser comunista guerrilheiro fã de Fidel Castro. Comunismo é quando o que é meu é seu, e o que é seu, é do José Dirceu.

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Sex Appeal To Reason

29, julho, 2003 FDR 3 comentários

- Eu vi a Betty Faria andando no calçadão. Ela ainda tem sex appeal.

- Ela tem é sixty appeal.

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Morre a Ilustrada Errada

28, julho, 2003 FDR 3 comentários

noite.bmp

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O Melhor do Mau Humor

28, julho, 2003 FDR 5 comentários

“Filme brasileiro bom é filme brasileiro morto.” Paulo Salles.

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Propaganda

25, julho, 2003 FDR 16 comentários

No SBT, propaganda de Juventude Transviada: estrelando James Dean, o maior ídolo de todos os tempos da história do cinema.

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A generosidade

24, julho, 2003 FDR 13 comentários

A classe média brasileira é a mais generosa do mundo. Dá metade do que produz para o governo (a) distribuir entre seus dez milhões de funcionários públicos; (b) fazer ruas para os pobres, sistema de transporte para os pobres, hospitais para os pobres, escolas para os pobres etc; (c) conservar privilégios de monopolistas, oligarcas e canalhas subsidiados.

Todo mundo agradece a espantosa generosidade, assaltando a classe média.

*

A classe média brasileira é capaz de promover passeatas contra guerras no outro lado do mundo, mas nunca contra os impostos, a incompetência e a corrupção que afetam sua vida. Quer a paz para os outros. É uma classe de santos.

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La Tartine

24, julho, 2003 FDR 3 comentários

Tolstoi escreveu que a vida era uma tartine de merde que somos obrigados a comer lentamente.

Faltou dizer que nos trazem a conta enquanto ainda estamos comendo. E que cobram a mais.

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John’ Cage’’

23, julho, 2003 FDR 7 comentários

John Cage compôs 4’ 33’’ em 1952. Desde a invenção do agogô, o mundo musical não via nada tão revolucionário: três belíssimos movimentos em que nenhum som é produzido. Até surdos podem ouvir e apreciar. Basta um espírito sensível. É o auge da música – the rest, my dear, is silence.

Dez anos depois, Cage apareceu com 4’ 33’’ número 2. “Para ser tocado de qualquer jeito por qualquer um”. Foi um estouro. A obra de arte mais executada de todos os tempos.

Mas o primeiro 4’ 33’’ é o número 1. Ouçam a brilhante gravação de Frank Nappa.

Por isso fiquei revoltado quando li que um tal de Mark Batt o plagiou na cara dura. Em meados do ano passado, Batt gravou Um Minuto de Silêncio, claramente uma versão reduzida (e mais pop) da obra-prima de Cage. Ele a incluiu no disco de sua banda, lançou-a em single e contratou uma saxofonista para não tocá-la em suas apresentações ao vivo. Tudo sem pagar um puto de royalties. Se não bastasse, ele ainda teve o topete de dizer que sua “música” era muito melhor que a de Cage: “Eu consegui dizer em um minuto o que ele só pôde dizer em quatro minutos e trinta e três segundos”.

Dá pra acreditar? Batt, claro, foi processado e acabou pagando cem mil libras para os atuais donos da partitura em branco.

*

Esse plágio me lembrou uma história. Eu estava com um amigo em um museu de arte moderna. Cansado de andar, me apoiei em uma parede. Um segurança apareceu e me disse que eu não podia tocar na obra. Achei que o museu estava em obras. Não, não. A parede é uma obra, de arte, senhor. Se chama A Parede em Branco. Faz parte da exposição.

Ah, sim, claro.

Meu amigo ficou vermelho de raiva. Gritou:

- Mas é uma falsificação grosseira! A original está lá em casa!

*

Às vezes penso que a inteligência hoje em dia é – cantemos com Mozart:

Come l’araba fenice:

Che vi sia, ciascun lo dice;

Dove sia, nessun lo sa.

(Como a fênix árabe / que ela existe, todos dizem / onde está, ninguém sabe.)

*

Quando eu crescer, quero escrever como esse cara.

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