


Apenas sob o domínio da raiva uma pessoa decente pode ver as coisas como elas realmente são no Brasil.
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Há algo de irremediavelmente decente em mim que me impede de aproveitar plenamente a vida.
FDR. Um blog geneticamente modificado.
Alguns exemplos aleatórios do Dicionário do Diabo, de Ambrose Bierce.
Beleza, s. f. O poder pelo qual uma mulher encanta um amante e aterroriza um marido.
Cínico, adj. Um canalha cuja visão defeituosa o faz ver as coisas como são, não como deveriam ser.
Circo, s. m. Um lugar onde é permitido aos cavalos, pôneis e elefantes verem homens, mulheres e crianças agindo como idiotas.
Cristão, s. m. Aquele que acredita que o Novo Testamento é um livro de inspiração divina admiravelmente adequado às necessidades espirituais do vizinho.
Dela, pron. Dele.
Dentista, s. Um prestidigitador que, colocando metal em sua boca, puxa moedas do seu bolso.
Egoísta, adj. Uma pessoa de mau gosto, mais interessada nela mesma do que em mim.
Haxixe, s. m. Não há definição para essa palavra – ninguém sabe o que é haxixe.
Homeopata, s. O humorista da profissão médica.
Mulato, s. m. Um filho de duas raças, com vergonha de ambas.
Niilista, s. Um russo que nega a existência de qualquer coisa, menos de Tolstoi. O líder da escola é Tolstoi.
Pele-vermelha, s. Um índio norte-americano, cuja pele não é vermelha – pelo menos não por fora.
E agora fiquem com Mark Twain.

Quando Arafat ganhou o Nobel da Paz, eu pensei: um dia a Monga, a Mulher-Macaco, ainda recebe a faixa de Miss Universo. E o Lula se torna Presidente da República.
Arafat apenas inventou o homem-bomba e lidera há quase meio século uma das maiores organizações terroristas do planeta, a Fatah. É um santo de chinelas, com um patrimônio de – pelo menos! – trezentos milhões de dólares. O mais engraçado é que esse homem-paz, esse corajoso representante do oprimido povo palestino, nem palestino é. É egípcio.
Agora Israel ameaça brincar de Harry Houdini com o sujeito e o mundo inteiro fica escandalizado. Exatamente como eu fiquei quando Arafat ganhou o Nobel. Coca-cola é isso aí.
Enquanto isso, no Bananão...
Veja diz que Lula é seguidor de Hayek. Hayek era liberal a ponto de achar que o Estado não deveria ter sequer o monopólio da impressão de moeda. Lula admite que o Estado tenha até o monopólio das consciências. Meu amigo Marcelo De Polli ficou revoltado, com toda razão. Mas dá pra se surpreender com uma imprensa que há anos chama Fernando Henrique de neoliberal, o mesmo Fernando Henrique responsável por elevar a carga tributária e os gastos públicos à exosfera?


Uma das maiores idiotices cristãs é essa história de amar o próximo. É quase tão idiota quanto não desejar a mulher do próximo.
A verdade é que é imoral amar indiscriminadamente. Amar um pulha é tão abominável quanto odiar um justo.
Veja os monges eremitas. São o único tipo de gente que pode dizer que ama toda a humanidade sem mentir. São monges e eremitas. Assim dá pra amar quem você quiser.
Ruy Goiaba descobriu que Heidegger, o filósofo nazistófilo, é na verdade o escritor Carlos Heitor Cony. E eu descobri que Mario Ferreira dos Santos, o grande filósofo religioso brasileiro, é o publicitário Nizan Guanaes.
Isso dá o que pensar.
Daqui a pouco o ministério da Cultura anunciará o candidato a ser candidato ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Aposto dois poleangos que será Carandiru. O melhor filme brasileiro do ano (à parte os documentários sobre Nelson Freire e Paulinho da Viola) é Lisbela e o Prisioneiro, que, claro, nem está concorrendo à concorrência.
Recebi convite para uma festa do canal GNT. O elenco do Saia Justa vai estar lá. Quer dizer, menos a Rita Lee. Acho que esse tipo de festa não é bem her cup of mushroom's tea.
Fly me to the moon
And let me play among the stars
Let me see what spring is like
On Jupiter and Mars
In other words, hold my hand
In other words, baby, kiss me
Mais uma vez é onze de setembro e mais uma vez bin motherfucker Laden aparece nos noticiários, agora caminhando com um cajado em alguma maldita montanha do seu mundinho da lua.
O sujeito poderia estar no Ritz ouvindo Strauss (o Johann, bien sûr) e tomando Taittinger com a duquesa de Montmartre e as ninfas da Champs Elysées, mas não, não, o bilionário saudita preferiu passar a vida em cavernas planejando maneiras de mandar prédios ocidentais pelos ares. E ainda dizem que o Bush que é louco.
Durante muito tempo eu não conseguia ver um violão sem ter vontade de quebrá-lo na cabeça de um violonista. Eu simplesmente não podia deixar de perceber o quão limitado, vulgar e tacanho era esse instrumento de cancioneiros populares, não só porque eu nascera com extrema sensibilidade para reconhecer qualidades de instrumentos musicais, mas em boa parte porque eu fora obrigado na minha longínqua adolescência a estudar arpejos e escalas e a tocar "era uma casa muito engraçada", quando o que eu queria mesmo era uma guitarra capaz de ensurdecer dez quarteirões com rajadas elétricas iguais às dos guitarristas do AC/DC e do Iron Maiden. E ainda havia o terrível agravante daqueles sujeitos que todo mundo da minha geração conheceu, que tinham parafina no lugar do cérebro e tocavam sempre as mesmas quatro músicas no violão (Wish you were here, Redemption song, alguma porcaria do Legião Urbana e outra do Raul Seixas), o que era a senha, o abre-te-sésamo do portão do palácio dos prazeres, abarrotado de menininhas lindas e vazias loucas para perderem a virgindade numa noite cheia de estrelas numa praia isolada e paradisíaca com alguém tão sensível, talentoso e cabeludo como eles, que tocam tão bem, ai, tão bem Wish you were here, mesmo que a praia isolada e paradisíaca seja o quarto da irmã gorda do Betão na rua Itacema.
Mais tarde conheci Joaquin Rodrigo, Villa-Lobos e todo esse pessoal da pesada que compunha música erudita para violão, e fui ficando condescendente e condescendente e condescendente e quando dei por mim estava realmente gostando do violão. Cheguei ao ponto de peregrinar às seções de violonistas de todas as lojas de cds de São Paulo atrás de compositores desconhecidos como Johann Kaspar Mertz, um húngaro do século retrasado que não pintava o cabelo com parafina nem fumava maconha em Mauá.
E tudo o que eu sabia do Paulinho da Viola era que ele tocava violão. Ou viola. E era irmão do Zeca Pagodinho.
Tenho que confessar que eu também gosto de pagodeiros como Chico Buarque, Toquinho e Jorge Ben, mas Paulinho da Viola, acho que por causa desse nome, e por ser irmão do Zeca Pagodinho, e talvez ainda por parecer o meu professor de Rádio e Tevê, era evidentemente um músico menor, coisa de atores de teatro e meninas sensíveis que se vangloriam de conhecer os buracos mais obscuros da MPB, e nem passava pela minha cabeça lambuzar meus nobres ouvidos com a música desse sujeito. Pra cima de moi, viola? Comigo não, violão.
Que injustiça com o Violinho. Fui arrastado para ver o documentário que Izabel Jaguaribe e Zuenir Ventura fizeram a respeito dele, Paulinho da Viola – Meu Tempo é Hoje, e não posso me furtar a lhe contar que o filme exagera na bajulação e tem uma música cantada pela Marina. Mas mesmo assim é muito bom. Diria mesmo comovente. Até pra quem detesta alaúde, bandolim e cia.

Grandes clássicos do jazz
What is this thing called mexican food?
Me, myself and mexican food
Too darn hot
Mexican food is here to stay
Oh Mexican food be good
Strangers in the night
They can take that away from me
What a little mexican food can do
I’m through with mexican food
I get along without mexican food very well
Amarar is back.
"A alma humana é um tanto fácil de se entender, quer dizer, se você não for um psicanalista." Nelson Ascher.
Não combino com o resto do mundo. É como meia roxa com terno preto. Ou com qualquer terno. Ou com qualquer roupa. Ou mesmo sem roupa. Simplesmente não combina.
"Em São Paulo tá uma tal tragédia que tão cobrando IPTU na campa do cemitério da Consoloção, que meu avô comprou no século retrasado. (...) Estão violando até o Franklin. O Franklin dizia que só havia duas coisas que eram inescapáveis: a morte e os impostos. Aqui eles meteram um imposto sobre a morte, pra deixar de ser besta." Delfim Netto, sobre os mortais tributos brasileiros, no UOL.
Dedicado a Alexandre Soares Silva
Não digo que a culpa tenha sido daqueles tênis laranjas fosforescentes. Certamente eles foram importantes. Deram o ponta-pé inicial. O tiro que anuncia a largada na corrida. Mas não criaram os corredores, não inventaram a corrida. Os corredores estavam lá. Deus sabe há quanto tempo eles estavam lá, curvados, à espera dos tênis laranjas fosforescentes. Ou de qualquer outra coisa que apitasse, que explodisse, que gritasse: vai!