


Parigi, o cara, noi lasceremo,
La vita uniti trascorreremo.
De' corsi affanni compenso avrai,
La tua salute rifiorirà.
Sospiro e luce tu mi sarai,
Tutto il futuro ne arriderà
Esses bastardos de Brasília. Esses filhos da puta. Easy, Mongo, easy.
Mesmo as pessoas inteligentes são burras. Bernard Shaw era socialista e vegetariano. Roberto Campos detestava ópera. Jesus Cristo morreu por nós.
Receita do mês.
Não sei como alguém pode comemorar 450 anos. Eu vou fazer trinta e já estou desesperado.
O feriado de 450 anos cair no domingo mostra toda a diferença entre São Paulo e Rio.
São Paulo deve ser a única cidade do mundo em que o centro fica na periferia.
A maior qualidade de São Paulo é ter dois aeroportos.
Encontros e Desencontros. Mais uma vez, eles se perderam na tradução.
Restaurante tradicional é aquele tipo de lugar frequentado por pessoas com saudosismo do tempo em que os restaurantes eram ruins.
A curiosidade não matou o gato; mostrou que ele já estava morto.
Manchete da Folha: "Tecnologia cortou 10, 8 milhões de vagas". É revoltante. Vou trocar hoje mesmo meu carro por um jegue, meu computador por um papiro, e meu abajur por uma lamparina. Abrirei mão de ar-condicionado, aparelho de som, anestésico e celular. Se meus passos forem seguidos, até a Narjara Turetta conseguirá emprego. Em pouco tempo, estaremos ricos. Teremos as melhores charretes do mundo. As malocas mais aconchegantes. Os penicos mais bonitos. Vamos lá, Brasil.
- Eu acho, tipo assim, que o universo não pode ter surgido do nada.
- Fala sério!
- Tipo assim, cara, deus, sabe? Deus, sei lá, cara, deus tem que ter sido a primeira causa, tipo assim, a causa que gerou o mundo todo.
- Realmente, até parece. O universo não precisa de causa nenhuma. Esse papo de deus é o maior caô.
- Cara, tipo assim, você acha que um mundo sem deus ia ser tão organizado?
- Caraca! Você tá viajando na maionese! Organizado? Olha teu quarto! Ninguém merece!
- Cara, tipo assim, se eu penso em deus e deus é perfeito, deus tem que existir, sacou? Tipo assim, se não existisse, não seria perfeito.
- Você quer dizer um perfeito idiota, né?
- Qualé, cara? Não sabe discutir numa boa, não?
- Realmente, até parece. Bom, vou nessa. Fui!
- Demorô.
No fundo, e também na superfície, é assim toda discussão sobre a existência de deus. Uma discussão de menininhas. Fala sério!
Matéria trai matéria. Eis uma lei de gravidade.
No Estadão de hoje, o cantor e apresentador Netinho fala do primeiro sitcom brasileiro sobre uma família de negros, que eu tive a imensa honra de ajudar a desenvolver junto com mais onze roteiristas, sob a preciosa orientação de Debbie Allen, Bentley Kyle Evans e Mike Ajakwe Jr.
Netinho é um avô para mim.
Vários filósofos descobriram o segredo do universo. Mas como é segredo, não contam.
"Quanto menor for a razão que um homem tenha para supor que está certo, mais veementemente afirmará que não há nenhuma dúvida de que está rigorosamente certo." Bertrand Russell, A Perspectiva Científica.
Muito Fidel e pouco Fidelio, eis os males da América Latina.
Era um Hai-Kai
Ofendido, injuriado:
Um pobre Hai-cu
Ninguém vai por essa estrada, nesta tarde de outono
Meu advogado samoano me aconselhou a suprimir o nome das professoras no post abaixo. Na verdade, ele ameaçou cortar minhas orelhas com um cutelo. Os samoanos se tornam difíceis quando misturam mescalina com dry martini. Mas enfim. Preferi manter minhas orelhas e cortar o nome das professoras. Quem não se aguentar de curiosidade, ou quiser seguir os passos de P. T. Barnum, me escreva que eu dou nome aos bois – melhor, às mulas.
É impressionante a semelhança de duas professoras da Cásper Líbero – R*** e M*** – com Grace McDaniels, a Mulher Cara-de-Mula. Se o reitor tivesse um pouco mais de visão no seu único olho, já poderia ter transformado a Cásper naquilo que é a verdadeira vocação de toda faculdade: um circo de freaks. Falta apenas um punhado de siameses e dois ou três professores de sociologia. Os alunos comprariam ingresso para entrar nas aulas. O vestibular seria disputado a socos.
Mas as mulheres-mulas. Elas simplesmente adulteraram o resultado de uma prova com o singelo intuito de me reprovar. Foram implicar justo comigo. Eu, que só queria ficar quieto no meu canto, cursar obscuramente a faculdade e pegar na saída o maldito diploma de jornalismo. Mas não, não. Antes eu tenho que lutar contra o elenco inteiro do Acredite se quiser.
Ontem eu vi as duas no ponto de ônibus. Eu estava de carro (em algum ponto a vida tem que ser justa). Pensei em atropelá-las. Pensei seriamente em atropelá-las. Então começou a tocar Don Giovanni no rádio. Don Giovanni sempre me deixa feliz. Pisei no breque e piquei a mula antes de, bem, picar as mulas. Entrei cantarolando no Figueira, onde devorei doze ostras e tomei uma garrafa de champagne.
Que as mulheres-mulas urrem vitória no ponto de ônibus, com a chuva fazendo-lhes escorrer a maquiagem barata pelas bochechas purulentas. Que eu seja reprovado.
Às vezes o consolo – ópera, ostra e champagne – faz a derrota valer a pena.
Só a sombra me reflete com alguma precisão.
Ah, nunca me esquecerei daquelas noites de que não me lembro de nada.