Arquivo

Arquivo de fevereiro, 2004

O jogo dos palavrões

26, fevereiro, 2004 FDR 18 comentários

O menino puxou a manga do pai e disse, baixinho:

- Eles estão falando palavrão.

Era a primeira vez que ele levava o filho ao estádio. E a torcida não colaborava. Olhou em volta e viu cerca de dez mil pessoas em pé, insistindo numa hipotética ligação entre o apito, os bandeirinhas e a mãe do juiz. Pegou a mão do filho:

- Augusto… o estádio é o único lugar do mundo onde as pessoas podem falar palavrão. O único. Em qualquer outro lugar, você sabe o que acontece… aquilo que tua mãe te ensinou.

Leia mais…

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Primeiro, as aposentadorias. Agora, os

20, fevereiro, 2004 FDR 5 comentários

Primeiro, as aposentadorias. Agora, os bingos. Lula fecha o cerco aos velhinhos.

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Estava lendo a lista dos

18, fevereiro, 2004 FDR 29 comentários

Estava lendo a lista dos dez filmes prediletos do Milos Forman, do Tarantino, do Cameron Crowe, etc., fiquei empolgado e fiz a minha. Claro que os filmes prediletos variam com tempo: se lista fosse feita na semana passada, ou na semana que vem, ela sairia diferente. Mas, enfim, eis a minha lista de hoje (a única que regra que usei foi a de não escolher mais de um filme de um mesmo diretor):

Duck Soup

Ninotchka

Casablanca

A Malvada

Alta Sociedade

Quanto Mais Quente Melhor

A Pequena Loja da Rua Principal

Taking Off

Fanny & Alexander

Crimes e Pecados

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Os franceses acham que podem

17, fevereiro, 2004 FDR 6 comentários

Os franceses acham que podem diminuir o fanatismo islâmico proibindo alunos de usar véus em escolas públicas. Veja no replay: menos pano na cabeça = menos islamismo. Isso é o que eu chamo de salto quântico da lógica.

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Carisma, s. f.: qualidade atribuída

16, fevereiro, 2004 FDR 7 comentários

Carisma, s. f.: qualidade atribuída a quem não tem nenhuma outra qualidade, mas faz sucesso.

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Diz aí Aldo Rebelo, esses

15, fevereiro, 2004 FDR 1 comentário

Diz aí Aldo Rebelo, esses escândalos envolvendo o PT… acabam ou não acabam em píteça?

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“Agora só cinco horas”, avisa

14, fevereiro, 2004 FDR 1 comentário

“Agora só cinco horas”, avisa a propaganda de Os Sertões – da revoluçao ao trans homem, de Zé Celso. É exatamente desse tipo de informação que a gente precisa. Soube de um sujeito que está há três anos no teatro – no mesmo teatro, assistindo a mesma peça. Era uma tarde agradável de domingo e ele entrou sem reparar no cartaz que dizia: “a saga de uma família em tempo real“.

Antigamente o sujeito saía para comprar cigarro e nunca mais voltava. Hoje vai ao teatro.

Mas Da revolução ao trans homem. É a terceira peça de pelo menos cinco horas que Zé Celso faz baseado nos Sertões. E ele ainda está no meio do livro.

God save the queen.

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Num espetacular furo de reportagem,

12, fevereiro, 2004 FDR 7 comentários

Num espetacular furo de reportagem, a revista Primeira Leitura revelou a existência de um ignorantão entre os wunderbloggers. Desde que Samuel Pepsy interrompeu seu diário para montar uma fábrica de refrigerantes, o mundo blog não via polêmica semelhante. Poirot jurou cortar fora o bigode caso não descubra quem é o ignorantão. Miss Marple também. Nero Wolfe se prepara para sair de casa pela primeira vez em trinta anos e a polícia secreta britânica jura que há armas de destruição em massa em algum lugar do célebre portal de blogs.

Enquanto isso, os próprios wunderbloggers trocam acusações. Alexandre ‘Gênio e Meio Calvo’ Soares acusa Felipe ‘Mad Monk’ Ortiz, que acusa José Guilherme de Andrade, que ninguém tem a menor idéia de quem seja.

A verdade, meus caros leitores, a áspera verdade, é que eu sou o ignorantão. Se Mad Monk Ortiz só leu as páginas pares de Brida e Alexandre as ímpares de Palmitos da Discórdia, eu nunca li nada, absolutamente nada. E quando digo nada, quero dizer nada mesmo. Quem lê, em voz alta, é Shirley Kelly, minha infatigável secretária. Ela é quem lê e quem digita, e a única responsável por essa confissão aqui.

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Aristides

11, fevereiro, 2004 FDR 9 comentários

Foi quando Aristides percebeu que havia se transformado num mamilo. A boca, as mãos, o suor. Meu deus, era absurdo. Aristides sempre fora um homem de peito, sempre gostara de estar no seio das coisas, mas aquilo ali era ridículo; era levar uma metáfora longe demais; era amordaçá-la, enfiá-la no porta-mala de um carro e espancá-la até a morte. Não fazia o menor sentido. E aquela boca, aquelas mãos, o suor. O maldito balanço. Como Aristides podia ter um dia gostado daquilo?

Os primeiros meses foram um verdadeiro inferno, mas Aristides acabou se acostumando – a capacidade de se acostumar do homem é realmente inacreditável. Transformem-no num umbigo. Numa clavícula. Nas nádegas, transforme um homem numa nádega – ou em duas – e ele irá se acostumar.

E não só se acostumar.

Muitos anos mais tarde, já gordo, inchado, um Elvis Presley decadente e mamilar, Aristides relembrava sua vida e pensava: ah, se não fossem aquelas intoxicações por silicone, ah, se não fossem as intoxicações.

Por pouco, por muito pouco, Aristides não fora um mamilo feliz.

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Raros são os atos de

10, fevereiro, 2004 FDR 3 comentários

Raros são os atos de generosidade que não provocam arrependimento (ou que, ao menos, não deveriam provocar).

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