


O menino puxou a manga do pai e disse, baixinho:
- Eles estão falando palavrão.
Era a primeira vez que ele levava o filho ao estádio. E a torcida não colaborava. Olhou em volta e viu cerca de dez mil pessoas em pé, insistindo numa hipotética ligação entre o apito, os bandeirinhas e a mãe do juiz. Pegou a mão do filho:
- Augusto... o estádio é o único lugar do mundo onde as pessoas podem falar palavrão. O único. Em qualquer outro lugar, você sabe o que acontece... aquilo que tua mãe te ensinou.
Continue lendo "O jogo dos palavrões"Primeiro, as aposentadorias. Agora, os bingos. Lula fecha o cerco aos velhinhos.
Estava lendo a lista dos dez filmes prediletos do Milos Forman, do Tarantino, do Cameron Crowe, etc., fiquei empolgado e fiz a minha. Claro que os filmes prediletos variam com tempo: se lista fosse feita na semana passada, ou na semana que vem, ela sairia diferente. Mas, enfim, eis a minha lista de hoje (a única que regra que usei foi a de não escolher mais de um filme de um mesmo diretor):
Duck Soup
Ninotchka
Casablanca
A Malvada
Alta Sociedade
Quanto Mais Quente Melhor
A Pequena Loja da Rua Principal
Taking Off
Fanny & Alexander
Crimes e Pecados
Os franceses acham que podem diminuir o fanatismo islâmico proibindo alunos de usar véus em escolas públicas. Veja no replay: menos pano na cabeça = menos islamismo. Isso é o que eu chamo de salto quântico da lógica.
Carisma, s. f.: qualidade atribuída a quem não tem nenhuma outra qualidade, mas faz sucesso.
Diz aí Aldo Rebelo, esses escândalos envolvendo o PT... acabam ou não acabam em píteça?
"Agora só cinco horas", avisa a propaganda de Os Sertões – da revoluçao ao trans homem, de Zé Celso. É exatamente desse tipo de informação que a gente precisa. Soube de um sujeito que está há três anos no teatro – no mesmo teatro, assistindo a mesma peça. Era uma tarde agradável de domingo e ele entrou sem reparar no cartaz que dizia: "a saga de uma família em tempo real".
Antigamente o sujeito saía para comprar cigarro e nunca mais voltava. Hoje vai ao teatro.
Mas Da revolução ao trans homem. É a terceira peça de pelo menos cinco horas que Zé Celso faz baseado nos Sertões. E ele ainda está no meio do livro.
God save the queen.
Num espetacular furo de reportagem, a revista Primeira Leitura revelou a existência de um ignorantão entre os wunderbloggers. Desde que Samuel Pepsy interrompeu seu diário para montar uma fábrica de refrigerantes, o mundo blog não via polêmica semelhante. Poirot jurou cortar fora o bigode caso não descubra quem é o ignorantão. Miss Marple também. Nero Wolfe se prepara para sair de casa pela primeira vez em trinta anos e a polícia secreta britânica jura que há armas de destruição em massa em algum lugar do célebre portal de blogs.
Enquanto isso, os próprios wunderbloggers trocam acusações. Alexandre 'Gênio e Meio Calvo' Soares acusa Felipe 'Mad Monk' Ortiz, que acusa José Guilherme de Andrade, que ninguém tem a menor idéia de quem seja.
A verdade, meus caros leitores, a áspera verdade, é que eu sou o ignorantão. Se Mad Monk Ortiz só leu as páginas pares de Brida e Alexandre as ímpares de Palmitos da Discórdia, eu nunca li nada, absolutamente nada. E quando digo nada, quero dizer nada mesmo. Quem lê, em voz alta, é Shirley Kelly, minha infatigável secretária. Ela é quem lê e quem digita, e a única responsável por essa confissão aqui.
Foi quando Aristides percebeu que havia se transformado num mamilo. A boca, as mãos, o suor. Meu deus, era absurdo. Aristides sempre fora um homem de peito, sempre gostara de estar no seio das coisas, mas aquilo ali era ridículo; era levar uma metáfora longe demais; era amordaçá-la, enfiá-la no porta-mala de um carro e espancá-la até a morte. Não fazia o menor sentido. E aquela boca, aquelas mãos, o suor. O maldito balanço. Como Aristides podia ter um dia gostado daquilo?
Os primeiros meses foram um verdadeiro inferno, mas Aristides acabou se acostumando – a capacidade de se acostumar do homem é realmente inacreditável. Transformem-no num umbigo. Numa clavícula. Nas nádegas, transforme um homem numa nádega – ou em duas – e ele irá se acostumar.
E não só se acostumar.
Muitos anos mais tarde, já gordo, inchado, um Elvis Presley decadente e mamilar, Aristides relembrava sua vida e pensava: ah, se não fossem aquelas intoxicações por silicone, ah, se não fossem as intoxicações.
Por pouco, por muito pouco, Aristides não fora um mamilo feliz.
Raros são os atos de generosidade que não provocam arrependimento (ou que, ao menos, não deveriam provocar).
Sou totalmente favorável ao estado mínimo, mas bem que o governador poderia comprar uma antena nova pra Cultura FM.
Hoje fui numa cantina e comi uma arma de destruição em massa.
Quanto tempo eles não trabalharam juntos, escrevendo piadas durante doze, às vezes treze horas por dia? É verdade que nos últimos anos sentiam-se cansados, envelhecidos, chegavam de mau humor, tossindo e resmungando, mas meu deus, nunca haviam sido tão engraçados. Trabalhavam a sério, nem sequer sorriam, a não ser nas pequenas pausas, quando caminhavam até a máquina de café e acendiam cigarros conversando animadamente sobre suas tristezas e tormentos, sobre a morte e as doenças terminais, sobre enchentes e mutilações. Puxa, eles tiveram momentos incríveis ali ao lado daquela máquina de café.
É impossível ser contra o livre-mercado sem ser abjetamente autoritário.
Balzac foi o melhor escritor de novelas de todos os tempos. Oscar Wilde, o melhor de sitcom.
Sempre que ouço Carmen, fico três dias cantarolando a canção do toureador. É infernal.
Cidade de Deus é um bom filme. Mas não chega aos pés de Procurando Nemo.
Machado de Assis escreveu certa vez que "não há vinho que embriague como a verdade". Pode ser. Mas e a ressaca?