Arquivo

Arquivo de abril, 2004

De Passagem

30, abril, 2004 FDR 2 comentários

Hoje estréia De Passagem, que rendeu ao meu amigo Cláudio Yosida o prêmio de melhor roteiro em Gramado. Ainda não vi, mea culpa, mea maxima culpa. Fui no lançamento, na Cinemateca, mas perdi a projeção. Tudo bem, eu estava lá só – preparem-se, preparem-se – de passagem.

O cronicamente inviável Sergio Bianchi também estava lá. Me disseram que ele sempre vai nos lançamentos e nunca assiste aos filmes. Sábia atitude, mas acredito que não no caso de De Passagem. Já escrevi vários roteiros com o Cláudio e posso dizer: o homem é talentoso. Tomara que o filme, como escreveu alguém, tenha chegado para ficar.

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Blame Canada

29, abril, 2004 FDR 91 comentários

O consumidor é sempre quem mais se ferra. Não só o de droga, mas falo aqui do de droga. Ele é perseguido, roubado, extorquido, espancado e preso pela admirável polícia do Grande Leviatã Débil Mental; é enganado e mal tratado pelo traficante; é visto com maus olhos pela Família, pela Igreja e pelo Rotary Club; e agora – tá na moda – é vilipendiado por jornalistas, psicólogas, professoras primárias e demais tapirus terrestris.

Foda, véi. O sujeito quer dar uma cheiradinha, o Grande Leviatã Débil Mental mete o nariz e diz que naninanão: teje proibido. Aparece um trafica com uma mistura simpática de cimento, talco, pó de vidro e aspirina (levemente salpicado com cocaína), o sujeito compra (caro) o barato, sniiiiiiiiiiiiiiffs, tem problemas pra dormir, fica com uma puta ressaca e ainda é acusado pelos chamados formadores de opinião (?) de colaborar com os crimes do tráfico: matar, assaltar, sequestrar e grande elenco. Peraí. Cheirar cimento já não é suficiente?

A linha de raciocínio dos tupitapirus é a seguinte: traficante compra arma com dinheiro da venda de droga. Se ninguém comprasse droga, traficante não teria arma. Logo, quem compra droga é culpado pelos crimes do traficante.

Não é uma boa linha de raciocínio. Na verdade, é uma linha de merda.

Siga a bolinha: se não existisse dinheiro, ninguém compraria droga. Logo, a culpa é de quem tem dinheiro? É do capitalismo selvagem? É do FMI? É da CIA? Se ninguém tivesse boca e nariz, ninguém fumaria e cheiraria. Logo, a culpa é do Pitanguy, que ainda não pensou em nada melhor? Se ninguém tivesse liberdade de andar por aí, não haveria tráfico. Logo, a culpa – como sempre – é da liberdade?

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Tem gente que acorda querendo

27, abril, 2004 FDR 8 comentários

Tem gente que acorda querendo contar o sonho que teve. Isso é o que eu chamo de pesadelo.

Sonhos são chatos. Eu sempre durmo no meio dos meus.

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Traze-me um pouco das sombras

24, abril, 2004 FDR 8 comentários

Traze-me um pouco das sombras serenas

que as nuvens transportam por cima do dia!

Um pouco de sombra, apenas,

– vê que nem te peço alegria.

Traze-me um pouco da alvura dos luares

que a noite sustenta no teu coração!

A alvura, apenas, dos ares:

– vê que nem te peço ilusão.

Traze-me um pouco da tua lembrança,

aroma perdido, saudade da flor!

– Vê que nem te digo – esperança!

– Vê que nem sequer sonho – amor!

“Murmúrio”, de Cecília Meirelles.

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A importância de ter vergonha

21, abril, 2004 FDR 25 comentários

Substitua os políticos por cidadãos privados escolhidos ao acaso e veja se o Brasil melhora. Não melhora. Ilusão achar que os políticos são culpados pela porcaria que é o país, eles representam fielmente nossa sociedade.

O mais importante é o brasileiro começar a ter vergonha do país em que vive. Botar na cabeça que o Brasil não é bonito por natureza, que seu povo não é alegre e cordial, e que, se deus é brasileiro, já se naturalizou americano, chinês, talvez guatemalteco.

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Num dia você está ouvindo

20, abril, 2004 FDR 8 comentários

Num dia você está ouvindo Et exsultavit spiritus meus do velho Bach, no outro está no inferno, e de repente não existe mais. Assim é a vida, na melhor das hipóteses.

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Be sure it’s true when

17, abril, 2004 FDR 7 comentários

Be sure it’s true

when you say

I love you

it’s a sin

to tell

a lie, yeah

many hearts have been broken

just because these words were spoken

be careful, dear, please, I love you

I love you

I love you

I love you, baby

I love you, yes I do

I love you

if you wanna break my heart

I’ll die, yeah, I’ll die

well be sure

that it’s true

when you say

I love you

it’s a sin

to tell

a lie

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O toque de merdas é

15, abril, 2004 FDR 6 comentários

O toque de merdas é uma doença incurável, que caracteriza-se pela deterioração de tudo que é tocado pelo doente. Atinge principalmente irmãos, empregadas, políticos e técnicos de informática.

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Noticiário

14, abril, 2004 FDR 6 comentários

Há poucas coisas tão desinteressantes quanto o mundo.

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Por que é sempre o

13, abril, 2004 FDR 30 comentários

Por que é sempre o tio de um amigo de um amigo que vê ovnis e coisas sobrenaturais? Por que nunca é a gente?

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