O consumidor é sempre quem mais se ferra. Não só o de droga, mas falo aqui do de droga. Ele é perseguido, roubado, extorquido, espancado e preso pela admirável polícia do Grande Leviatã Débil Mental; é enganado e mal tratado pelo traficante; é visto com maus olhos pela Família, pela Igreja e pelo Rotary Club; e agora – tá na moda – é vilipendiado por jornalistas, psicólogas, professoras primárias e demais tapirus terrestris.
Foda, véi. O sujeito quer dar uma cheiradinha, o Grande Leviatã Débil Mental mete o nariz e diz que naninanão: teje proibido. Aparece um trafica com uma mistura simpática de cimento, talco, pó de vidro e aspirina (levemente salpicado com cocaína), o sujeito compra (caro) o barato, sniiiiiiiiiiiiiiffs, tem problemas pra dormir, fica com uma puta ressaca e ainda é acusado pelos chamados formadores de opinião (?) de colaborar com os crimes do tráfico: matar, assaltar, sequestrar e grande elenco. Peraí. Cheirar cimento já não é suficiente?
A linha de raciocínio dos tupitapirus é a seguinte: traficante compra arma com dinheiro da venda de droga. Se ninguém comprasse droga, traficante não teria arma. Logo, quem compra droga é culpado pelos crimes do traficante.
Não é uma boa linha de raciocínio. Na verdade, é uma linha de merda.
Siga a bolinha: se não existisse dinheiro, ninguém compraria droga. Logo, a culpa é de quem tem dinheiro? É do capitalismo selvagem? É do FMI? É da CIA? Se ninguém tivesse boca e nariz, ninguém fumaria e cheiraria. Logo, a culpa é do Pitanguy, que ainda não pensou em nada melhor? Se ninguém tivesse liberdade de andar por aí, não haveria tráfico. Logo, a culpa – como sempre – é da liberdade?