


Li que Hitler tinha um medo mórbido de parecer ridículo. Isso é realmente engraçado.
*
Estou lendo "O Duelo: Churchill x Hitler", de John Lukacs. Logo na página 14, Lukacs diz que Churchill "mordeu os lábios e saltou do carro, subindo os degraus da sede do Almirantado com expressão severa e determinada." Mordeu os lábios? Expressão severa e determinada? Como diabos ele sabe disso?
O espírito natalino leva as pessoas até a falarem bem do meu livro... Grazie, signore. Sono commosso.
A canção do porco de natal
Tender in the night
two hungry people
wond'ring in the night
What were the chances we’d be sharing pork
before the night was through.
Something in that pig was so inviting
Something in that swine was so exciting
something in my heart told me I must be full
Saiu o resultado do concurso que o Ministério da Cultura promoveu para "incentivar a formação de novos profissionais de roteiro". Dos 16 vencedores, pelo menos 15 não são novos profissionais. Entre eles, Jorge Furtado, André Klotzel, Roberto Moreira, Djalma Limonge Batista e Alberto Salvá. Todos vão embolsar 30 mil reais e participar de duas aulas de roteiro (inclusive o Roberto Moreira, que é professor de roteiro da USP). O Jorge Furtado, aliás, acabou de receber 700 mil do Banco do Brasil para fazer um curta-metragem louvando o povo brasileiro. Pra quem recebe tanto dinheiro público, não deve ser difícil louvá-lo.
Esse país é coisa de cinema.
Feliz natal, Brasil.
Lula diz que "chegou o tempo de colher o que foi plantado". Eu sei que bosta é adubo, mas pera lá.
Durante a ocupação da França na Segunda Guerra Mundial, havia uma piada que definia muito bem a colaboração com os alemães: "Você me dá o seu relógio, e eu lhe dou as horas". Não define também a política de impostos do governo brasileiro?
Política econômica do governo: cortar zeros à direita e aumentar zeros à esquerda.
Você é a Vênus de Milo que eu quero um abraço
Você, minha querida! E ainda tem braço!
Os pulhas andam em bando, os bons estão sozinhos.
Melhor manter-se longe até dos seus vizinhos.
Imagens: Menino quebra o seu cofrinho. Velho tira dinheiro de debaixo do colchão. Mendigo balança sua caneca cheia de moedas. Anão pega dinheiro no caixa-eletrônico. Todos eles, sorridentes, entregam seu dinheiro para um homem de barba, paletó preto e broche do PT, que faz um sinal de jóia em retribuição.
Locução: O governo brasileiro acredita que, quanto mais dinheiro ele toma de você, mais chance você tem de ficar rico. Por isso os impostos pro alto e avante. E tem gente que acredita no governo.
DEIXA DE SER TROUXA. UMA CAMPANHA FDR.
Imagens: Velhinha se dirige a um caixa no banco. Atrás dela, um homem de barba e óculos escuros, fumando charuto e dando risada, aponta uma placa: "Atendimento preferencial aos amigos do governo". A velhinha, sorridente, deixa o homem ser atendido primeiro. Mulher grávida está sentada em um ônibus lotado. Um homem de barba entra no ônibus com uma garrafa de champagne na mão e aponta uma placa: "Assento preferencial aos amigos do governo". Mulher grávida, sorridente, cede seu lugar ao homem. Paralítico, sorridente, tenta entrar no Palácio do Planalto por uma escada. O presidente da República fez um sinal de jóia para ele, enquanto caminha pela rampa.
Locução: O governo brasileiro acredita que o melhor jeito de promover a igualdade é mantendo, criando e aumentando privilégios. Por isso os subsídios, incentivos, monopólios e tarifas alfandegárias. E tem gente que acredita no governo.
DEIXA DE SER TROUXA. UMA CAMPANHA FDR.
Não entendo esse negócio de mestrado e doutorado. Imagine, defender uma tese. Posso me ver defendendo a minha vida, ou a vida de quem gosto, mas aí uma arma seria mais adequequada do que uma pesquisa. Onde diabos arranjam tanta coisa pra defender? Se ainda fosse atacar.
Entrevista com o Mainardi no Semana3. Ele elogia os Wunderblogs, urrú!
E aqui, Right Ho, Jeeves, recentemente lançado em português pela editora Globo (infelizmente não chamaram o Alexandre, o nosso Wodehouse, para traduzir. Mas a tradução é legal, dá pra rir a bandeiras despregadas).
Meg Guimarães entrevista Daniela Abade, que autografa o seu segundo romance, hoje, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos. Também hoje, Daniel Piza lança a coletânea Perfis & Entrevistas, na Casa do Saber.
E amanhã é dia da Paralelos se materializar em livro, com direito a chope do Devassa na Livraria Dantes.
Em Beijos Roubados, Christine ensina Antoine Doinel que, se você colocar a bolacha em cima de outra bolacha na hora de passar a manteiga ou o requeijão, a bolacha não quebra. Repeti a experiência em casa, com enorme sucesso. Minha vida mudou. Acho que isso é arte. Merci, Truffaut.
Depois de atravessar oceanos e montanhas, de enfrentar tigres e tempestades, de passar, durante meses, sede, fome, frio e calor, o jornalista chegou finalmente à cabana do homem mais sábio do mundo.
- Mestre! Suplico que me ajude!
- Pergunte qualquer coisa, e obterá a resposta.
O jornalista ajoelhou-se, perguntando com voz trêmula:
- Blog é literatura?
- Ora, vá pra puta que pariu, respondeu o sábio, antes de afundar o cajado na cabeça do sujeito.

No domingo, também às 18h, Daniela Macedo e Marco Aurélio lançam o Balde de Gelo no Rio de Janeiro. Mais especificamente, na Livraria da Travessa.
Ana Paul trabalha num CEU, embora eu tenha certeza que ela prefira um inferninho. Ela me contou que nossa querida prefeita suspendou o serviço de limpeza e o fornecimento de água da escola. Não está muito claro se é contenção desesperada de despesa ou uma forma de punir a população por não ter conseguido se reeleger. De qualquer forma, o CEU é apenas um exemplo. A cidade está completamente abandonada. A própria Marta se mandou: semana passada estava passeando em Paris, ontem foi à reabertura do Scala de Milão (ela, que deve entender tanto de ópera quanto eu entendo de batráquios urodelos). Me espanta que ela possa voltar a São Paulo e não receber de boas-vindas uma tijolada na cabeça.
Spammers fundamentalistas atacaram o Wunderblogs e conseguiram tirar as caixas de comentários do ar. Sem comentários.
Cony defende a reparaçãozinha de 1,4 milhão de reais, mais uma renda vitalícia de 19 mil por mês, que recebeu do Estado pelos momentos que passou durante o regime militar. Quando o leitor lê (há os que não lêem, acredite) "recebeu do Estado", deve ter em mente que o Estado não tira dinheiro do nada. O Estado tira dinheiro de nós. Geisel e o Costa e Silva já morreram, não têm como pagar 1,4 milhão – mais uma renda vitalícia de 19 mil por mês.
Eu nem tinha nascido na época do golpe, e se tivesse teria sido contra, porque sou contra qualquer tipo de autoritarismo, o que inclui esse aí que me obriga a dar dinheiro para um escritor que mora na Lagoa e frequenta o Castelo de Caras em Brissac (eu, que mal tenho dinheiro para frequentar o Castelinho da Pamonha em Cururuquara).
E o Cuny é apenas um dos que lutaram contra o governo e agora vivem do governo. Há estimativas de que 4 bilhões de reais serão gastos em indenizações a ex-guerrilheiros, jornalistas, vagabundos, políticos, ou pra resumir em uma palavra, petistas. Quatro bilhões arrancados de mim e de você e dele ali. É como se o governo dissesse à população: já que vocês foram estúpidos o suficiente de passar 20 anos sem liberdade, agora passem o dinheiro pra cá.
Certo tá o Roger, o maior filósofo brasileiro: é tudo filho da puta.
Há três tipos de motoristas em São Paulo: os que não sabem dirigir, os que são filhos da puta, e os que não sabem dirigir e são filhos da puta. Há três tipos de pessoas no mundo: as que não sabem viver, as que são filhas da puta, e as que não sabem viver e são filhas da puta.
Esqueça o Iraque, a Ucrânia, a política econômica do Palocci e o MST. Essas coisas só existem para desviar a sua atenção. Algo bem mais sério aconteceu: a Danone mudou, na calada da noite, a fórmula do requeijão Poços de Caldas. Mudou, e para disfarçar, acrescentou na embalagem a palavra "Tradicional". Escândalo! Onde estão as passeatas? Cadê os defensores do consumidor?
Hoje eu engasguei com um pedaço de bolacha cheio do novo e tradicional Poços de Caldas, e tossindo, envenenado, reparei que escreveram na embalagem, bem pequenininho: "especialidade láctea com requeijão cremoso". Especialidade láctea! O Poços de Caldas nem requeijão é mais!
O que leva uma empresa a mudar um produto de tanto sucesso? As pessoas são mesmo cretinas e sacanas. Quando a gente fala mal do capitalismo, a gente não fala mal do capitalismo, a gente fala mal das pessoas. O capitalismo nada mais faz do que dar oportunidade às pessoas de serem como elas realmente são. E para que as pessoas não sejam exageradamente como elas são, é necessário ter leis. Uma lei fundamental é a que impeça a mudança de certos produtos. Assim como o governo tomba edifícios antigos, devia tombar a manteiga Aviação, a coxinha do Di Cunto e o requeijão Poços de Caldas. Sem falar no presunto de Catanduva! Glória nacional que um dia – não muito distante, ó meu deus! – será ameaçada pela estupidez de nossos (meus, não!) semelhantes.
É terrível. Com o fim do verdadeiro Poços de Caldas, não morre um requeijão. Morre uma era.
AMERICAN SPLENDOR ***
A winning movie about a loser.
Keila Prado Costa comenta o Todas as Festas no site Capitu. Ela é do time que considera o livro "pessimista e melancólico". Tem quem o considere "leve e bem-humorado", como Sérgio de Sá, do Correio Brazilense:
Diversão impura
O que a urgência e a gentileza da internet podem produzir como textos? Parte da resposta está na estréia — em livro — do blogueiro Fabio Danesi Rossi. Todas as festas felizes demais, um dos primeiros lançamentos da editora Barracuda, reúne contos despreocupadamente atentos. ‘‘Herda a leveza lírica da linguagem de Paulo Mendes Campos e Otto Lara Resende, mas a dilapida pouco a pouco com enredos altamente simbólicos e cáusticos’’, escreve o poeta Fabrício Carpinejar na orelha. Com razão.
A crônica contemporânea jogada na rede reproduz um narrador leve, bem-humorado. Ele, narrador, é imaturo apenas na superfície. Assim, capta momentos bem marcados da nossa existência, de todas as fases banais. Todas as festas é uma obra feliz sem ser demais, porque a vida é assim. É livro que se lê vendo televisão, é livro para ser zapeado sem prejuízo ao todo (porque ele, ainda bem, não existe). O autor, espertíssimo, sabe que ‘‘o tempo tira a importância das coisas o tempo inteiro’’.
Há coisas de mestre nesse trabalho de continuidade de uma certa tradição brasileira. Experimentem ler Bom dia, bom dia, hora da escola, O jogo dos palavrões ou Como se decidem os salários. Difícil é não esboçar um sorriso de satisfação. Literatura não é só isso? É o que o espaço aberto de comunicação da rede vem proporcionando: o prazer de escrever sem entraves gramaticais ou juízos definitivos, de ler junto com muita gente, compartilhando experiências reais (que podem ser virtuais), a felicidade de dar uma banana para a ‘‘alta literatura’’.