Um dos jeitos mais eficazes de tornar o mundo um lugar pior é levar a sério os fóruns para “um mundo melhor”.
*
No Iraque, mais de 60% dos eleitores votaram hoje, mesmo correndo o risco de bombas os transformarem em extrato de tomate estilizado. Dia histórico.
Ela tinha fé.
Eles não tinham roupa.
Deus e Chacrinha apresentam
um musical erótico de levantar a batina do bispo
MADRE TERESA DE Ó CALCUTÁ
Estrelando Alexandre Frota, como Alexandre, o Ghandi; Paulo César Pereio, como o Papa, porra; e Aldine Müller, como a noviça rebelde. Direção e roteiro: Jesus Sargentelli.
“Um verdadeiro milagre!” The Pope Review
“Fiat lux! Enfim um inferninho divino!” Vaticano Online
“O primeiro a comprar ingresso é mulher do padre” Opus Gay Magazine
Fui num restaurante chamado Pobre Juan. Devia se chamar Pobre Cliente.
Crib Tanaka me entrevistou para o Paralelos. Aqui.
ANTES DO PÔR-DO-SOL ***
Paris, Julie Delpy, who could ask for anything more?
COLATERAL *
Se você não se importa com clichês, atuações constrangedoras, personagens inverossímeis e diálogos ridículos, esse filme foi feito sob medida para você.
OS SONHADORES ****
Produzido em 2003, lançado em 2004, visto em 2005. O melhor filme do ano.
O sentido da vida é de mão única.
E vamos que vamos pela contra-mão.
Homo homini lupus, disseram Plauto e Hobbes. A mulher é o lúpulos do homem, disse FDR.
É preciso ter um coração de pedra pra não torcer pelo Don Giovanni quando se ouve a ópera de Mozart. É verdade que ele estupra Donna Anna e mata o pai dela. Também é verdade que ele engana e abandona Donna Elvira. E é preciso admitir que ele seduz a pobre Zerlina no dia do casamento dela. Mas isso são detalhes.
O brasileiro é livre pra decidir se quer ou não gastar seu dinheiro com papetes. Se ninguém quiser papetes, nenhuma papete será produzida. Se muitos quiserem papetes, muitas papetes serão produzidas.
A mesma lógica não vale para a arte (seja arte com ou sem aspas). Se o brasileiro não quiser financiar filmes e instalações, ele vai financiar filmes e instalações. Uma parte do dinheiro recolhido com impostos vai ser inevitavelmente repassada a artistas – principalmente àqueles com aspas gigantes.
É uma sacanagem. Por que os artistas têm privilégios? Por que não são como os papeteiros?
Sou, portanto, contra o financiamento público de arte. Apesar disso, recebi com imenso pesar a notícia da extinção da Sinfonia Cultura. Não era uma orquestra propriamente habilidosa, mas era a única – até onde eu sei – especializada em música erudita brasileira. E não se limitava ao trenzinho caipira do Villa-Lobos: tocava Amaral Vieira, Ronaldo Miranda e outros interessantes compositores contemporâneos.
A orquestra foi extinta pelo novo presidente da Fundação Padre Anchieta, Marcos Mendonça. Em 96, quando era secretário de cultura do Estado de São Paulo, Mendonça convidou John Neschling para comandar a OSESP. Ofereceu ao maestro um salário anual de 400 mil dólares – como é fácil oferecer salário com o dinheiro dos outros! Um ano antes, Isaac Karabtchevsky, um dos maestros mais incompetentes do Brasil, assumiu a orquestra do La Fenice. Verdi estreou várias de suas óperas no La Fenice. É um dos teatros mais importantes do mundo. Karabtchevsky assumiu e, claro, o teatro pegou fogo. Foram necessários seis anos para reconstruí-lo. Pra vocês terem uma idéia, Neschling é pior do que o Karabtchevsky.
Agora Marcos Mendonça prefere produzir programas infanto-debilóides como o Castelo Rá-Tim-Bum a financiar a Sinfonia Cultura. Uma pena. Já que o Estado insiste em gastar dinheiro público com esse tipo de coisa, deveria, pelo menos, investir nas melhores papetes.
Entrevistei uma vez o Gilbeto Gil. Foi quando compreendi plenamente o significado da palavra viagem.
Desconfio que o nosso querido ministro também goste de viajar fisicamente. Sempre que abro o jornal, vejo uma foto dele em Paris. É verdade que só abro o jornal de seis em seis meses, mas enfim, abri ontem e lá estava ele em Paris. Era o lançamento de um tal de Ano do Brasil na França, que pretende levar aos franceses “a diversidade cultural e a modernidade brasileira”, além de 100 milhões de reais do bolso do contribuinte. Alguns de vocês podem considerar inadequado que um país pobre se dê ao luxo de gastar 100 milhões do nosso dinheiro com palestras e exposições lá no outro lado do Atlântico. Ah, espíritos débeis! Inteligências servis! O que é esse dinheiro – esse papel rude, esse vil metal, que só serve para comprar comida, saúde, diversão e segurança! – comparado a incrível oportunidade de exibir na Europa a arte plumária da Amazônia, o universo da literatura de cordel, as embarcações do Maranhão? Hein? Quem, de boa vontade, não abriria mão das economias de uma vida (e não só de uma, se mais de uma tivéssemos!) se verdadeiramente conhecesse o valor do Escalpo, do admirável Tunga, ou das 4 maneiras de playtear a eternidade, do genial Eder Santos, ou ainda da Nave Neusa, do admirável e genial Ernesto Neto? Ah, o que são 100 milhões? Hein? Me diga! O que são 100 milhões? Ninharia! Ninharia!
Um dia, sem querer, um jornal publicará a seção de arte brasileira na página policial. E assim ficará melhor.