


SIDEWAYS ****
Um filme para quem gosta de vinhos. E/ou para quem gosta de filmes.
Só o verdadeiro amor sobrevive a uma imitação do Supla cantando Japa Girl.
Abra um belo Chardonnay, coloque para tocar o DVD do Barbeiro de Sevilha, e bom apetite.
O CLÃ DAS ADAGAS VOADORAS ****
Um filme que você esquece em um dia. Mas enquanto você lembra, inesquecível.
CLOSER **
Um filme que tenta nos deixar com pena de um cara que transa com a Natalie Portman e a Julia Roberts em pouco mais de uma hora e meia de filme. Natalie Portman não é atriz, mas é boa como stripper. Excesso de roupa pode atrapalhar a arte da atuação. Closer é o tempo inteiro inteligentinho. Sofisticadinho. Engraçadão. Os diálogos tentam ser notáveis, e conseguem, várias vezes, ser notavelmente constrangedores. De vez em quando acertam. Algumas boas frases. Eu te amo, e preciso mijar. Em outra vida, Mike Nichols dirigiu bons filmes: Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, A Primeira Noite de um Homem, Ânsia de Amar e Ardil-22. Quase ressucitou agora.
Nunca vi uma cidade com tantos policiais e tão pouco policiamento quanto o Rio de Janeiro. Nos Estados Unidos, você não vê a polícia, mas ela está sempre lá. No Rio, você vê a polícia, mas ela não está nem aí.
A morte é um negócio desagradável, exceto, talvez, para donos de funerárias e fabricantes de caixões, mas pense bem. 100 trilhões de células trabalham de graça pra nos manter vivos. Trabalham de graça, sem direito a férias, aposentadoria e plano odontológico. Não é de se espantar que um dia elas se revoltem. Que um dia elas comecem a promover greves, piquetes, boicotes e sabotagens. Tudo bem, nos obrigar a decretar falência (múltipla dos orgãos) é levar a coisa um pouco longe demais, mas eu pergunto: dá pra culpá-las? Não dá pra culpá-las. Lamento o fato de não haver possibilidade de negociação, pois eu realmente gostaria de sentar numa mesa com a célula-líder e debater o assunto. Não tenho dinheiro pra pagar 100 trilhões de células, é verdade, mas talvez a célular-líder aceitasse um suborninho pra colocar panos quentes...
Mas o que eu ia escrever era sobre o Saul Bellow. Suas 100 trilhões de células pararam de trabalhar na terça-feira. Era um grande escritor. Acho que o livro que mais reli foi a sua coletânea de artigos, Tudo Faz Sentido. Se eu fosse uma célula, pensaria duas vezes antes de parar de trabalhar pra ele.
Meu mano (a mano) Ricardo Kelmer, autor de seis livros de "total sucesso de público e absoluto fracasso de venda", conta um pouco sobre o árduo trabalho de contar piadas o dia inteiro.