


Livro bom é aquele que demora muito para ser escrito e pouco para ser lido.
Concurso para a capa do livro Blog de Papel.
O Calvário da Calvície, de Eça de Queirós.
Dona Corrupção sempre tivera o gosto perverso de certas mulheres pela calva dos homens (...). Quando se punha a olhar para a calva do Valério, larga, redonda, brilhante às luzes, uma transpiração ansiosa umedecia-lhe as costas, os olhos dardejavam-lhe, tinha uma vontade absurda, ávida de lhe deitar as mãos, palpá-la, sentir-lhe as formas, amassá-la, penetrar-se dela!
Com o aumento do número de blogs, fotologs e videologs, em breve a intimidade deixará de ser uma coisa, digamos assim, íntima. "Tenho que conversar com você, minha querida, mas não sei se aqui é o lugar ideal. Estamos só nós dois."
A frase mais famosa do liberalismo é do Lord Acton: o poder corrompe, o poder absoluto corrompe absolutamente. É uma frase injusta. O problema não é o poder. O problema são as pessoas que querem o poder. Desejá-lo desesperadamente, como o Lula e o José Dirceu, é sintoma de um caráter – para usarmos um pouquinho de ironia – cheio de autoridade moral e ética.
As pessoas corrompem o poder, e o PT o corrompe absolutamente.
Dizem que a Daslu é um símbolo da exclusão social. Não, não. É um símbolo da inclusão social. Símbolo da exclusão social é a favela Funchal, que fica ali ao lado.
A esquerda quer acabar com a Daslu sem acabar com a favela. Acham a Daslu pior que a favela. A favela é que tem que acabar. As pessoas têm que ganhar dinheiro. Quanto mais Daslu, melhor. Mas a esquerda gosta de pobreza – desde que seja a pobreza dos outros. E detesta a riqueza — desde que seja a riqueza dos outros.
Dá pra ler aí em cima? Dia 21, terça-feira. Das 19h às 21h30. Na Livraria da Vila. Lançamento das Histórias Secretas, de Daniel Funes.
A diferença entre Brasil e Estados Unidos é a mesma que existe entre Roberto Jefferson e Thomas Jefferson.
Nos restaurantes do interior, percebe-se um fenômeno curioso: quanto mais perto você está do boi, pior é a carne.
Na Blockbuster, a vaga pra deficiente não é a do Christopher Reeve?
Em Brasília, 19 horas e 30 mil.
Tira em quadrinhos. Filhos da pátria.
Filho: Pai, eu não quero mais mesada.
Pai: Por quê, meu filho?
Filho: Quero mensalão.
Charge. À la Gary Larson.
Caçador 1 (para caçador 2): Acho que acertei alguma coisa.
Saci-pererê (do outro lado do rio): Puta merda! Era minha última perna!
O exame de paternidade comprovou: ele não era filho de Deus.
Nada a declarar significa muito a esconder.
"Ser honesto, hoje em dia, é ser um em dez mil. Espera aí. Qual a população de Brasília mesmo?" Hamlet.
Kofi Annão era contra a guerra no Iraque
- Eu sou político, mas tenho honestidade.
(incrédulo) - Tem honestidade?
- Tenho. (susurrando) Quer comprar? Baratinho.
*
A honestidade em um político vale muito. Trinta mil, por aí.
Brasileiro detesta dinheiro. Detesta prosperidade. Todos mundo desceu o sarrafo na nova Daslu. As peruas, as roupas, o prédio, o estacionamento. Tudo foi ridicularizado. E no entanto, a Daslu oferece bons produtos, bons serviços, bom atendimento. O que quase ninguém falou é que o governo do PT emprestou, com financiamento de longo prazo e juros baixos, R$ 30 milhões para a construção da loja. Dinheiro nosso. Meu e seu. Tomado pelo Lula, pelo José Dirceu, pelo Palocci. E gentilmente emprestado à Daslu. Brasileiro adora dinheiro. Brasileiro adora prosperidade.
FORJA DE HERÓIS (THIS IS THE ARMY) ****
O título em português é absurdo. A cópia em DVD é uma porcaria. Há quem ache o filme datado. Racista (!). Ridiculamente patriótico. Passe por cima de tudo isso. As músicas são de Irving Berlin. O próprio Berlin canta Oh! How I Hate To Get Up in the Morning. Não que ele cante particularmente bem. Durante as filmagens, um membro da equipe ouviu ele cantar e disse: "Se o cara que compôs essa música ouvisse esse cara cantando, ele se reviraria no túmulo". Mas é divertido, é divertido.
Leio no Fogo Grego:
A reportagem d'O Globo disse que Roberto Jefferson cantava as óperas (sic) "Torna a Surriento" e "Core 'ngrato".
Não são óperas. São canções napolitanas. O mesmo erro foi cometido pelo Jornal Nacional, pela Tribuna da Imprensa, pela Jovem Pan, e por sabe-se lá quantos veículos de comunicação.
Eu estou acostumado a esse tipo de coisa, apesar do espanto ser permanente. Sempre me perguntam se eu gosto de ópera – quando eu estou ouvindo a uma sinfonia ou a um concerto. Para boa parte da classe média (e classe alta) brasileira, ópera é qualquer coisa que tenha orquestra e não seja MPB.
O nível cultural na Europa e nos Estados Unidos também é extremamente baixo, claro. Mas o Brasil caminha na frente. E todo o mundo o segue. Daqui a pouco estarão que nem nós.
O Brasil, meus caros, é o futuro da humanidade.
Mais um livro que deveria ser lançado no Brasil.
Mas quem sou eu nesta vida tão louca?
Mais um palhaço no teu carnaval
Altos Las Hormigas Malbec 2002.
(O Reserva é sensacional)
Um jornal certa vez me pediu que escrevesse algo sobre o Dia dos Namorados. Escrevi: "Os homens amam as mulheres, as mulheres amam as crianças, as crianças amam os hamsters e os hamsters não amam ninguém". Alice Thomas Ellis, citada por Ian Sansom em A Verdade Sobre os Bebês, livro cheio de citações citáveis, bom presente para o dia 12, se o seu namoro for sério. Se não for, pode dar esse aqui mesmo. Queria escrever sobre o manifesto Temos Fome de Literatura, mas o Mercuccio e o Tiezzi já escreveram o suficiente. "O Estado é a grande ficção através da qual todo mundo se esforça para viver à custa de todo mundo." Frédéric Bastiat. Grande sujeito. Vai mais um link aí? Passa o sal, por favor.
Oh! How I Hate To Get Up In The Morning.
Folha - Isso (o mensalão) não existia também no governo passado?
Jefferson - Nunca aconteceu. Eu tenho 23 anos de mandato. Nunca antes ouvi dizer que houvesse repasse mensal para deputados federais por parte de membros do partido do governo.
É, mensal, nunca. A parte mais engraçada da entrevista do Scumbag Jefferson é quando ele diz que o Lula chorou ao saber do mensalão. Chorou! Quando se trata do presidente, o Brasil inteiro é uma velhinha de Taubaté? A repórter devia ter perguntando se ele chorou copiosamente ou se foi apenas uma lagrimazinha. Importante saber.
"Tudo o que nos separava subitamente falhou." Rubem Braga.
GUERRA NAS ESTRELAS - EPISÓDIO III *****
Não vi o filme, mas é o melhor do ano. Atrai a massa comedora de pipoca e deixa o caminho livre para quem quer assistir a Melinda e Melinda e A Queda sem yahoos ao lado conversando e falando ao celular.
MELINDA E MELINDA ****
Woody Allen e Woody Allen.
A QUEDA **
O filme é acusado de humanizar Hitler. Afinal, mostra o führer cumprimentando a secretária e agradecendo a cozinheira. As pessoas são tão mal-educadas hoje em dia que o sujeito não pode nem mais dizer obrigado sem se tornar mais humano. Na verdade, Hitler é retratado como um louco. Vê traições em todo lugar, dá ordens a exércitos que não existem, condena Berlim à destruição e diz que o povo alemão merece a morte. Muito humano, indeed. O filme seria bem melhor se ficasse concentrado apenas nele. Mas tem histórias paralelas meio bobas, como a do médico gente fina (uma espécie de Dráuzio Varella nazista) e a do menininho que quer guerrear contra a vontade do pai. E os clichês. A bomba explode. A boneca cai no chão enlameado. Ó. E a falta de ritmo, principalmente depois que Hitler se mata. Você é obrigado a ver a mulher do Goebbles assassinado cada um dos seus cinco filhos – um ou dois já não seriam suficientes, pô?
Um jovem que sabe tudo é tão ridículo quanto um velho que não sabe nada.