Arquivo

Arquivo de outubro, 2005

Staccato

31, outubro, 2005 FDR 4 comentários

A literatura faz com que você viva a vida de outras pessoas. É um jeito de roubar no jogo: já que a vida é curta, você multiplica sua vida. Basta ler. Não precisa nem sair de casa.

Minha experiência como roteirista foi maravilhosa. Emplaquei três fracassos em um único ano. Quantas pessoas podem dizer que fracassaram com tanto sucesso?

São Paulo é a representação cênica da mente dos políticos: cruel, feia, caótica. Já o Rio está mais para o corpo de uma chacrete: lindo, mas vulgar.

Dinheiro é como camisinha: todo mundo fala mal, mas sempre é bom andar com uma na carteira.

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O homem que só pensava na morte

28, outubro, 2005 FDR 4 comentários

Quando era criança queria ver o momento exato em que o dia virava noite, mas nunca conseguia, por mais que fixasse os olhos no céu e se concentrasse, de repente estava de noite e ele tinha perdido o momento exato, e se nós fossemos procurar na vida dele o momento exato em que ele começou a pensar na morte, também, como ele criança olhando para o céu, deixaríamos passar o momento, nunca o perceberíamos, mas foi na adolescência, deve ter sido, entre um gole e outro de Ypioca, talvez durante uma música cantada pelo Tim Maia numa boate em Campos do Jordão amando perdidamente uma garota que nunca mais veria – todas as garotas amadas perdidamente numa boate em Campos do Jordão nos anos oitenta nunca mais são vistas, mesmo quando passam o resto da vida conosco – uma garota que nunca pensara nem nunca pensaria no momento exato em que o dia vira noite, mas o fato é que um dia ele percebeu que não conseguia parar de pensar na morte e que pensar na morte estragava tudo, os goles de Ypioca, o Tim Maia, as garotas que não pensavam muito e que nunca mais são vistas, a morte, e isso era óbvio, era o fim, e um dia, por mais que não quisesse, tudo cessaria e ele nunca mais voltaria a existir, nunca mais, e ele levantava no meio da noite, suando, em pânico, e percorria o quarto como um animal enjaulado, repetindo para si mesmo que aquilo não era possível, que ele não podia simplesmente deixar de existir, mas era inevitável, um dia ele deixaria de existir e se não bastasse deixaria de existir para sempre, e ele não conseguia entender como as pessoas podiam levar as suas vidas, como elas podiam esquecer, ou não se dar conta, que um dia deixariam de existir, e então como sair de casa, como trabalhar, como ter filhos, como tomar Ypioca? Talvez tomar Ypioca. Mas como todo o resto? Como se preocupar com qualquer outra coisa que não a morte? A morte, a morte, a morte, todo o resto é picuinha. Quis se dedicar à ciência, estudar o DNA, tentar reverter a situação, mas não conseguia se concentrar, era como ter uma boa idéia tossindo numa câmara de gás com a corda no pescoço e os pés sob um rolo-compressor, ninguém tem uma boa idéia tossindo numa câmara de gás com a corda no pescoço e os pés sob um rolo-compressor, o fim, o fim, ele não conseguia pensar em mais nada, não podia se concentrar, a família preocupada, as namoradas adeus, os amigos irritados, ele entrando nos lugares gritando vocês estão loucos, parem tudo, nós vamos morrer!, e um a um os amigos se foram, querendo viver sem pensar na morte ou morrer sem pensar na vida, e ele pensava na vida e por isso pensava na morte, era tudo a mesmíssima merda, e não podia tolerar a contagem regressiva, o tic-tac, a Ypioca, talvez não a Ypioca, às vezes não a Ypioca, mas o Tim Maia, certamente o Tim Maia, e todo o resto era tudo nada, e foi internado, saiu, foi internado de novo, mas era normal, um cara normal, tão normal que não podia esquecer por um minuto sequer que ia morrer, que todos iam morrer, todos morrerem era um problema secundário, mas também era um problema, um agravante – se apaixonar por uma garota que ia morrer? Mórbido. Trabalhar para cadáveres? Insano. E tic-tac e tic-tac e tic-tac, sozinho, atormentado, acusado por papai e mamãe de desperdiçar a vida por causa da morte, acusação idiota, já que depois da morte a vida seria esquecida e se fosse esquecida era como se nunca tivesse existido e se nunca existiu ninguém pode desperdiçar o que não existe e então, um dia, morreu.

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FDR Jukebox

27, outubro, 2005 FDR 2 comentários

Fantástico dueto da opereta Moskva, Cheremushki, de Shostakovich. Irina Gelakhova (Masha) e Andrei Batukin (Sasha) sonham com seu novo apartamento, enquanto Gennady Rozhdestvensky rege a Orquestra Residente da Haia.

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LANÇAMENTO DO LIVRO BLOG DE

27, outubro, 2005 FDR 4 comentários

LANÇAMENTO DO LIVRO BLOG DE PAPEL COM DATAS E LOCAIS MARCADOS

Dia 12 de Novembro na Feira do Livro de Porto Alegre:

Tarde de Autógrafos, às 15h30, no Memorial do RS com o André Dahmer (Malvados) e com Milton Ribeiro, Ticcia Antoniete, Ane Aguirre (Blog de Papel).

Logo depois, às 16h30, na sala O Retrato do Centro Cultural Erico Veríssimo, haverá uma mesa de bate-papo sobre Literatura e Internet com a participação do Dahmer, os autores do Blog de Papel e mediação do escritor Armindo Trevisan.

Dia 19 de Novembro na Primavera dos Livros em São Paulo – OCA/Parque do Ibirapuera:

No espaço reservado para lançamentos, a partir das 18h00 – Coquetel de lançamento do livro Malvados com a presença do André Dahmer e, também, do Blog de Papel com os 14 autores e os 14 ilustradores que participaram da edição.

Rio de Janeiro e Goiânia, ainda sem local e data confirmados.

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O escritor, letrista e tangedor

26, outubro, 2005 FDR Sem comentários

O escritor, letrista e tangedor de caranguejo cearense Ricardo Kelmer (o Kelmer é cearense, o caranguejo não sei) escreve sobre o meu livro de contos, Todas as Festas Felizes Demais, e, de quebra, revela ao mundo algumas das bobagens que costumo dizer em mesas de bar. Aqui.

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O mundo seria um lugar

19, outubro, 2005 FDR 6 comentários

O mundo seria um lugar melhor, embora um pouquinho mais ridículo, se em vez da camiseta do Che Guevara, os jovens usassem a camiseta do von Mises.

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É melhor inverter. Passar a

18, outubro, 2005 FDR Sem comentários

É melhor inverter. Passar a esquerda pra direita e a direita pra esquerda. Repita comigo: liberalismo é de esquerda, socialismo é de direita; liberalismo é revolucionário, socialismo é conservador.

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- Olha, nosso filho tá

13, outubro, 2005 FDR 6 comentários

- Olha, nosso filho tá comendo cocô!

- Que merda!

- Que merda nada! Isso quer dizer que ele tá com curiosidade. Quer investigar, descobrir o mundo!

- Sei.

- (exultante) Nosso filho vai ser um intelectual!

- (preocupado) Pera lá. Você acha que ele vai continuar comendo merda pelo resto da vida?

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O iPod nano de 2GB

11, outubro, 2005 FDR 9 comentários

O iPod nano de 2GB (que acabei de ganhar, um primor) vai custar, segundo o Estadão, cerca de 1200 reais quando for lançado no Brasil. Nos Estados Unidos, você pode comprar por 450. No site americano da Apple, um iBook G4, tela de 14 polegadas, custa 2900 reais. Na Fnac brasileira, apenas 7990. Por aqui, um Corolla novo não sai por menos de 50 mil. Lá, não chega a 32 mil.

É, meus amigos. Custa caro ser pobre.

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Pausa para os comerciais

10, outubro, 2005 FDR 2 comentários

Debate

Quinta-feira, 13 de outubro às 20:00

Tema: Contra o consenso – A postura do jornalismo brasileiro diante da crise do governo Lula

Palestrante: Reinaldo Azevedo, Paulo Henrique Amorim, Luiz Felipe D’Avila

Local: Livraria Cultura Shopping Villa-Lobos – Av. Nações Unidas, 4777 – São Paulo/SP

O objetivo deste debate é discutir a postura e o amadurecimento do jornalismo brasileiro nos últimos trinta anos, representados pela publicação dos livros de Paulo Henrique Amorim e de Reinaldo Azevedo.

* Reinaldo Azevedo (Editor da revista “Primeira Leitura”, colunista do jornal “O Globo” e autor do livro “Contra o consenso”, publicado pela editora Barracuda)

* Paulo Henrique Amorim (Jornalista e autor do livro “Plim-Plim, publicado pela editora Conrad)

* Luiz Felipe D’Ávila – Mediador do Debate.

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