Arquivo

Arquivo de dezembro, 2005

Conto natalino

28, dezembro, 2005 FDR 2 comentários

A menininha senta no colo do papai noel:

- Quero ganhar um pipi de presente. Meu irmão tem e eu não.

De noite, ela recebe a visita do bom velhinho.

- Se você se comportar, no ano que vem ganha um só pra você.

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Graça divina

22, dezembro, 2005 FDR 3 comentários

(conto curto)

Entrou correndo e chorando na igreja. Com a estola, o padre espantou um mosquito:

- Extrema-unção, minha senhora, só com hora marcada.

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No Brasil, os notáveis o

20, dezembro, 2005 FDR Sem comentários

No Brasil, os notáveis o são pela estupidez.

Falta é o que não falta nesse mundo.

Só sou são se sou só.

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Tempos que não voltam mais

19, dezembro, 2005 FDR 4 comentários

(conto curto)

Cada vez que via o pontífice na televisão, vovô suspirava:

- Comi muito esse papa.

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TRICAMPEÃO, TRICAMPEÃO

18, dezembro, 2005 FDR 21 comentários

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A Carta

16, dezembro, 2005 FDR Sem comentários

Daniel tinha que escrever rápido e dar o melhor de si, passar a madrugada em claro se necessário, era o único a jeito, a solução. Todo mundo dizia que ele escrevia bem, muito muito bem – é verdade que todo mundo era apenas a professora Helena, que os alunos chamavam de dona Baleia, pois era imensa e – diziam – tinha um umbigo que soltava jatos d’água. Dona Baleia dizia que ele era um pequeno grande escritor, e Rodolfo, seu melhor amigo, dizia que ele tinha que dizer à Dona Baleia que ela era uma grande pequena professora, Rodolfo dizia isso e ria, o filho da puta, insultando a mulher que enxergara nele o talento que agora podia salvá-lo. Rodolfo também dizia que ele escrevia bem e uma vez chegou mesmo a dizer que nunca lera nada tão bom quanto aquele conto que ele escrevera sobre o esquimó que tem o nariz congelado e por isso é rejeitado pela mulher-esquimó. É verdade que Rodolfo preferia colocar tachinha na cadeira da Dona Baleia do que ler um livro, mas ninguém podia negar a inteligência de Rodolfo sem negar a sua própria. E Daniel tinha que escrever rápido e dar o melhor de si, madrugada adentro, escrevendo, reescrevendo, escrevendo, reescrevendo, até dar o ponto final naquela carta que o salvaria. A Bia não podia mudar de cidade. Não podia ir embora. Seria uma carta tão bonita que emocionaria a Bia, que emocionaria os pais da Bia, os avós da Bia, o poodle da Bia. As palavras – e isso também Dona Baleia havia dito – podiam mudar o modo de pensar das pessoas – podiam girar o mundo ao contrário, expandir a alma, inflar o amor e até mesmo matar pessoas. E Daniel tinha o dom das palavras, elas eram suas escravinhas, ele mandava e desmandava, construía, letra por letra, a carta que impediria Bia de ir embora do colégio. E ele escreveu, insanamente, dando tudo de si, aquela carta que era sua obra-prima. E entregou a carta a Bia, naquele seu último dia de escola, e ela guardou a carta no bolso da calça, sem saber que ali estavam as palavras que mudariam sua vida. E no fim do dia, os pais da Bia chegaram e ela entrou naquela Caravan preta como um carro funerário, e a fumaça se jogava pra fora do carburador, fazia frio e o céu estava cinza, e o carro partiu e Rodolfo passou gritando e rindo que tinha grudado chiclete no cabelo da Bia e ela nem tinha percebido, e Daniel sentou-se num canto do colégio, tomando muito cuidado para não ser visto, e chorou como nunca havia chorado.

E agora, quarenta anos depois, olhando para a tela branca do monitor à sua frente, o word sem uma única e mísera palavra, ele pensava que devia escrever todos os seus livros como escrevera aquela carta para a Bia, que devia pensar nos leitores como pensara na Bia. Mas a tela era tão branca – e os leitores tão idiotas.

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Poema de amor

15, dezembro, 2005 FDR 4 comentários

Eu te amo porque você é mortal

porque você apodrece

Eu te amo porque os vermes te esperam

porque os cabelos enbranquecem, caem e crescem nos túmulos

porque o túmulo é o teu último lugar

Eu te amo porque você chora e adoece e se esconde

até de você mesma

Eu te amo porque você tem essa capacidade de se desesperar

e continuar

como se nada fosse desesperador

Eu te amo porque você não é deus, não é deusa

Eu te amo porque você morre

se não morresse, por que eu te amaria?

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VINICIUS *** O documentário consegue

13, dezembro, 2005 FDR 5 comentários

VINICIUS ***

O documentário consegue a façanha de ser divertido apesar de bajulatório e das intepretações do Ricardo Blat e da Camila Eu Estou Grávida de Luiz Carlos Prestes Morgado. Mais ainda: é divertido apesar de ter uma música cantada pela Adriana Calcanhoto! Milagre, milagre!

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Het dronken paar, Jan

10, dezembro, 2005 FDR 4 comentários

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Het dronken paar, Jan Steen

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Memória

8, dezembro, 2005 FDR 3 comentários

(conto curto)

Tinha uma memória tão seletiva que não lembrava de nada.

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