


Relendo (como sempre) o Paulo Francis, me deparo com essa passagem: "Nos colégios onde estive os bobos eram tratados de maneira grosseiríssima e jocosa pelos mais inteligentes. Quando se errava a pronúncia de francês e inglês, gargalhadas dos que sabiam o certo."
Nos colégios onde eu estive, os mais inteligentes eram tratados de maneira grosseiríssima e jocosa pelos bobos. Quando se acertava a pronúncia de francês e inglês, gargalhadas dos que não sabiam o certo.
Algo mudou no mundo.
O sujeito citou o Thomas Jefferson:
– A honestidade é o primeiro capítulo do livro da sabedoria.
E o outro lamentou:
– Pena que o Lula não lê...
Cuanto menos moral, más Morales.
Podem reparar. Quanto mais gordos surgem no mundo, mais os magros fazem dieta.
MR. WATTENBERG: You have written that being an atheist allows you to become intellectually fulfilled.
MR. DAWKINS: No, I haven't quite written that. What I have written is that before Darwin, it was difficult to be an intellectually fulfilled atheist and that Darwin made it easy to become an intellectually -- and it's more. It's more. If you wanted to be an atheist, it would have been hard to be an atheist before Darwin came along. But once Darwin came along, the argument from design, which has always been to me the only powerful argument -- even that isn't a very powerful argument, but I used to think it was the only powerful argument for the existence of a creator.
Continue lendo "MR. WATTENBERG: You have written"José Alencar escreveu para as redações dos jornais reclamando de uma matéria publicada pela Veja. A carta termina assim: "Com o maior apreço, sou o José Alencar".
Se não bastasse ser o José Alencar, ele ainda o é com o maior apreço!
Quanto mais canalha é a pessoa, mais ela quer salvar o mundo.
Quando se trata das Três Grandes e um Pouco Ridículas Questões – quem somos, da onde viemos, para onde vamos – a diferença entre um físico e um filósofo é a mesma que existe entre um inspetor de polícia e um mendigo cego. Pode ser divertido imaginar que basta jogar uma moedinha na caneca do mendigo para que as pistas sejam dadas e o crime resolvido – procure Joe 'Cara de Cavalo' Feliciano ou o mordomo de deus é o culpado –, mas a verdade é que, por mais inverossímil que possa soar para algumas pessoas, o cego barbudo não viu porra nenhuma.
Pra mim, a grande descoberta das dietas modernas é que você não pode ficar sem comer. Todas elas dizem isso. Sem comida, seu organismo entra em pânico e começa a armazenar gordura. Resultado: você engorda. Eu acho isso sensacional. Os pais entram no quarto e pegam o filho gorducho lambendo os beiços.
- Filho!
O moleque tenta esconder o prato vazio.
- O que é isso?
- Eu tava comendo um pedaço de lombo com bacon! Eu juro!
- Esse prato tá vazio! Pensa que a gente é trouxa?
- Tá bom, eu confesso! Eu confesso! Eu não estava comendo nada!
O pai bota o menino de castigo e enche a geladeira de comida.
- Quero ver esse moleque assaltar a geladeira agora. Tá lotada de comida!
E a mãe, se lembrando:
- A despensa, não tá vazia?
O pai sorri:
- Vazia, mas – mostrando a chave – trancada.
"Somente o bom Deus tem o direito de fazer o bem; eis por que todos os que se intrometem em sua obra são por ele tão cruelmente castigados."
Balzac, O Primo Pons.
Por que passam filmes tão ruins nos aviões? Só pode ser de propósito. Um modo de evitar o pânico caso aconteça algum problema.
- Perdemos uma das turbinas.
- Tudo bem. Nada pode ser pior do que esse filme.
- O avião está caindo!
- Graças a deus! Não aguentava mais Amor Além da Vida.
Imagina uma reunião de executivos de uma companhia aérea ameaçada de terrorismo.
- Se um cara entrar de turbante no avião, o jeito é passar A Ilha. Duas vezes seguidas.
- Pois é. O negócio é passar um arquipélago inteiro.
- Isso se o cara estiver sem mala de mão. Porque se o cara estiver com mala de mão e ela fizer tic-tac, meu amigo... tem que ser Dançando no Escuro. Tem que ser.
Sharon: um homem a quem a grandeza não fez bem.
Faltavam poucos minutos para acabar 2005 e eu ainda não tinha tido nenhuma boa idéia no ano. Já estava sem esperanças quando vi um amigo muçulmano virar uma garrafa de champanhe. A segunda garrafa de champanhe. De repente, tudo ficou claro. Me veio uma idéia de uma obviedade nelsonrodrigueana, que estava só a espera de um gênio para revelá-la. Na falta de um gênio, ia eu mesmo. Você sabe que os muçulmanos não podem beber. É uma lei religiosa. Não beberás, nem mesmo um Pol Roger Sir Winston Churchill Cuvée 1990, diz o mais severo – e cruel – mandamento religioso já criado até agora. Mas é claro que os muçulmanos, quando bebem, gostam da bebida. Uma cultura que permite o álcool ganha de uma cultura que proíbe o álcool. E ganha fácil. É como colocar no mesmo ringue o Holyfield e o Suplicy e soar o gongo. Surra absurda. O poder do álcool só não está acima do poder da religião por causa de um mísero detalhe (o maior de todos os míseros detalhes): a ressaca. No dia seguinte, meu amigo acordaria – como de fato acordou – com uma dor de cabeça inacreditável. E amaldiçoaria – como de fato amaldiçoou – o álcool traiçoeiro. E pediria – como de fato pediu – perdão pra alá. E agora – aposto dois poleangos – passará mais um ano sem colocar uma única gota de bebida na boca. A ressaca é o ponto fraco da nossa cultura. É o nosso calcanhar de Aquiles. Cure a ressaca e veja o Bin Laden tomando Budweiser em frente à televisão. Cure a ressaca e adeus fundamentalismo. Nada de invadir países, bombardear cidades, torturar suspeitos, grampear telefones. Nada, nada disso. É muito mais simples e barato investir na cura da ressaca. Além do quê, é sempre melhor gastar bilhões com bebida do que com armas.
Essa foi a grande idéia que eu tive em 2005. A idéia que pode mudar o mundo e salvar a humanidade. Ainda bem que minha noiva me lembrou dela. O porre do réveillon tinha feito eu esquecer.
Nelson de Oliveira escreve sobre A Visita. Aqui, na Bravo!
Melhor filme: Encontros e Desencontros, de Sofia Coppola
Melhor livro: Orgulho e Preconceito, de Jane Austen
Melhor peça: Esperando Godot, de Samuel Beckett
Melhor composição: Cantata 106, de Bach
Melhor blog: Alexandre Soares Silva, de Alexandre Soares Silva