Outro dia, parei o carro num estacionamento e o manobrista afanou meus dois romances do Radiguet e um livro de psicanálise da minha mulher. Hoje, desço para fazer exercício na sala de ginástica do meu prédio e um sujeito gigantesco com a aparência de um mujique lia Ulisses enquanto pedalava na bicicleta.
Algo está errado.
Espero o pior.
Não lembro como conheci a Meg. Não lembro quando li seu blog pela primeira vez. Não lembro quando começamos a trocar emails. Não lembro de sua primeira demonstração de carinho. Não lembro da segunda (foram tantas). Não lembro quando soube que ela estava doente. Não lembro se cheguei a lhe escrever sobre o assunto ou se apenas lhe contei uma piada. Não lembro quantas vezes rimos – eu aqui, ela ali. Não lembro quando foi última vez que nos falamos.
Não quero lembrar que ela se foi.
Melhor filme: O Baile dos Bombeiros, de Milos Forman
Melhor livro: A Prima Bete, de Balzac
Melhor composição: Sonata 59, de Haydn
Melhor seriado: Curb Your Enthusiasm, de Larry David
Melhor invenção: Wii, da Nintendo