Idéia para animar um jantar
Experimente, durante um jantar, defender a volta dos castrati. Vão achar que é brincadeira. Mas faça cara de sério. Pergunte: pelo amor de Deus, o que são as bolas de uns molequinhos comparadas às árias de Händel?
As mulheres sem senso de humor e os esquerdistas sem miolos têm a curiosa tendência de levar tudo a sério e de se escandalizar por nada. Eles vão levar a sério e vão se escandalizar. Quando aquela mulher do outro lado da mesa, aquela que não bebe, não come carne e que ficou rica depois de fundar uma ONG com verba governamental, quando aquela mulher segurar o cabo da faca com as mãos fechadas, batendo-a nervosamente na mesa, aceite a derrota. É verdade, é um absurdo, nada de castrati.
Deixe que saborearem um pouco a vitória. E então pergunte, como quem não quer nada: mas e a ginástica olímpica, hein?
Que que tem a ginástica olímpica, vão perguntar. Ué, você diz. A prática da ginástica olímpica é muito mais cruel que a prática de castrar molequinhos. Eles não vão entender e a mulher da ONG vai voltar a segurar a faca. Não se intimide. Continue. Fale daqueles monstros de moletom encardido que obrigam criancinhas indefesas a saltarem, pularem e rodopiarem até seus corpos ficarem deformados. Fale que as ginastas ficam semi-anãs para o resto da vida. Fale que elas ficam problemas de saúde. Ficam com amenorréia! Se tornam freaks! E pior – grite – tudo isso financiado pelo governo! Tudo isso financiado com o NOSSO dinheiro, dinheiro que poderia ser usado para construir esgoto, casa, escola! Fique cada vez mais nervoso. Segure a faca com a mão fechada e a bata nervosamente na mesa. Levante-se, talvez. Não pare de gritar: se Händel não justifica cortar as bolas de molequinhos, porque as piruetas justificam deformar criancinhas? Por que as piruetas são melhores que Händel? Por quê?
Vão achar que você é louco. E talvez você seja mesmo. Mas cá entre nós: você estará certo. E o jantar vai ter sido mais divertido.
